A geometria de Athos Bulcão

Painéis de azulejos, especialidade do artista, ganham destaque na mostra da Caixa Cultural, que conta com 36 obras

Um dos grandes na arte brasileira. Assim poderia ser definido Athos Bulcão (1918-2008), com suas formas geométricas características. Após cursar, durante três anos, Medicina, por insistência do pai, Bulcão resolveu se dedicar às artes visuais. Pintura, escultura, desenho, mural e fotomontagem: todas as formas artísticas eram utilizadas para materializar suas ideias. Foi na produção arquitetônica de murais e azulejaria, porém, que o artista trilhou um caminho de sucesso, ao lado de nomes como Oscar Niemeyer e Candido Portinari. É este aspecto que a Caixa Cultural Rio de Janeiro pretende realçar através de Athos Bulcão – Tradição e Modernidade, em cartaz até 8 de março na Unidade Almirante Barroso, no Centro. Com curadoria de Marcus de Lontra Costa em parceria com a Fundação Athos Bulcão de Brasília, a mostra reúne 36 obras de um conjunto que pertence a coleções particulares e a herdeiros do artista, compondo um panorama de sua produção e sua inserção na arte nacional e internacional.

“A exposição propõe o resgate de sua memória através de uma mostra abrangente, de qualidade relevante”, aponta o curador. Seus famosos azulejos geométricos ganham destaque na reprodução dos painéis presentes em locais como o berço do samba carioca, o Sambódromo; aIgreja Nossa Senhora de Fátima e o Aeroporto Internacional Presidente Juscelino Kubitscheck, ambos em Brasília. A capital federal, aliás, concentra uma grande quantidade de obras do artista plástico: são mais de 200, dentre murais, painéis e relevos nos edifícios do Congresso Nacional. A mostra apresenta também vídeos sobre a carreira de Bulcão e estudos para painéis de cerâmica, além de projetos, plantas, máscaras, gravuras e objetos de cunho pessoal.

Marcus de Lontra Costa destaca ainda a importância do artista para a formação da arte nacional. “Bulcão contribuiu de forma decisiva para a história da arte brasileira, agregando valores internacionais na construção das questões vanguardistas do século XX”. O artista morou na França de 1948 a 1950 como bolsista do Curso de Desenho na Académie de La Grande Chaumière, e litografia, no ateliê de Jean Pons. Também desenvolveu inúmeros projetos em países como França, Itália e Argélia. Todas as experiências contribuíram para a versatilidade de sua obra, que recebeu, inclusive, algumas premiações, dentre as quais o título de Sócio-Benemérito do Conselho Superior do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), em 1969 e o Diploma de Reconhecimento da mesma instituição, em 1995.

Produção com destaque para a interatividade

A produção da mostra ficou por conta da dupla Anderson Eleotério, também design de montagem da mostra, e Izabel Ferreira. Juntos, procuraram utilizar recursos de cor, som e iluminação para acentuar as características mais marcantes do trabalho de Bulcão, além de criar uma atmosfera lúdica para o público, que poderá interagir e conhecer de perto a obra do artista plástico, como explica Izabel. “Reproduzimos em uma parede uma série de 400 azulejos imantados de dez centímetros de altura por dez de largura. Athos Bulcão não montava seus painéis de azulejo, ele apenas instruía os operários, que ficavam, então, responsáveis pela montagem, na ordem que os interessasse. O artista só fazia pequenas ressalvas. O público da exposição poderá fazer a mesma coisa, brincar de montar um painel de azulejos”, conta a produtora.

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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/

Fotografia: Painel de azulejos assinado por Bulcão pode ser visto no sambódromo do Rio (crédito: Divulgação)

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