Verão de festa a céu aberto
Para espantar o calor, festas ocupam as ruas e piscinas do Rio de Janeiro
Por entre os prédios históricos do Arco do Teles, no Centro do Rio, ecoa um burburinho diferente do normal. As tradicionais rodas de samba do local dividem, neste verão, o espaço da agenda com os DJs. Ao ar livre e de graça, festas reúnem quem não quer ficar em casa durante o dia.
Neste domingo, 11/01, acontece a primeira edição do Baile da Minha Rua, organizado pelos amigos Victor Belart, Mateus Nagem e Victor Oliveira, que fazem parte do projeto Faz Na Praça. Com a ideia de ocupar os espaços públicos, eles se uniram para mudar o jeito de viver e pensar a rua.
A onda começou no fim do ano passado, quando a Festa Trip, também com Belart na produção, trocou as casas fechadas pelo ar livre da Praça XV. Em seguida, foi a vez da conhecida e brasileiríssima Bebete Vãobora. O roteirista de 25 anos, Ralph Acampora, começou a frequentar as festas motivado pela entrada franca e a playlist de qualidade. “Sinto um alívio grande em sair no Rio de Janeiro e não esvaziar a carteira em uma só noite”, conta.
Esta é uma preocupação do Baile da Minha Rua. “Começamos a reparar que o que consumíamos pagando tinha origem na rua e, mesmo assim, ela continuava sendo um lugar de passagem. Resolvemos fazer uma festa do jeito que a rua é: democrática e heterogênea, em homenagem a este espaço. É pra ir de coração aberto por que, assim como a música, a rua é universal”, explica Belart que define a festa como contemplativa e transformadora, o que ajuda a “criar um imaginário em cima do conceito de rua”.
O repertório foi montado entre a combinação de rap, carimbó, funk, carnaval, reggae, samba e todas os ritmos nascidos na rua. O encontro se estende para os personagens do espaço público. Enquanto a festa rola, grafiteiros estarão pintando um painel, baleiros, malabaristas e vendedores de comida de rua encontram lugar. Além disto, uma intervenção de rap será feita pelo grupo Carta na Manga, deixando o microfone aberto para quem quiser se expressar.
“A ideia que um evento assim me passa é a de liberdade. Você pode festejar no meio da rua, sem a artificialidade dos lugares planejados para serem uma boate. No Arco do Teles temos a arquitetura antiga e a lua bem ali, nos encarando. É tudo muito imprevisível, fui sozinho e encontrei vários amigos. Não conseguia ficar parado e, depois de horas dançando com conhecidos e desconhecidos, a chuva veio para completar”, lembra Ralph Acampora.
Para refrescar a cuca
Agora, para quem não aguenta o calor das ruas: pega o maiô na gaveta, procura a parte de cima do biquíni e veste a sunga. É tempo de festa na piscina também. A próxima Pool Me In está marcada para este sábado, 10/01, com banho de mangueira, jogos de piscina, camisetas molhadas e, claro, música. O clima de descontração e de não pudor contagia.
O empresário Gabriel Zambrone, de 27 anos, foi um dos que marcaram presença na primeira edição do ano no sábado, 03/01. “Quando eu vou numa pool party procuro uma descontração e uma animação que não se vê em uma festa à noite, em uma boate, ambiente escuro e fechado. No verão, as pessoas vestem roupas de banho e entram no clima dos mergulhos. Todos se divertem, dançam e se refrescam ao mesmo tempo. Além disso, a festa acaba no início da noite e, se não tiver terminado o fôlego, dá para emendar em outra festa.”
Esta é a terceira temporada da Pool Me In, organizada por Suzana Trajano e João Ricardo. Eles sentiam que faltava algo no Rio de Janeiro, é o que conta Suzana. “Tem muita festa assim no exterior, mas aqui é sempre difícil achar um lugar com uma piscina que caiba todo mundo e que os vizinhos não reclamem. Por isso, não divulgamos com antecedência o endereço. É no susto.”
Cerca de quinhentas pessoas comparecem ao evento. Para chegar, uma van fica disponível em um ponto de encontro, no caso, o Baixo Gávea. É possível também receber as coordenadas da localização por e-mail, no dia anterior, mas é preciso se cadastrar.
Quem registra tudo é a I Hate Flash, clicando a galera sem espaço para preconceito. “Cada um vai do seu jeito, muitas vezes bem irreverentes, o que acrescenta um ‘tempero’ especial à festa. É uma quebra de paradigmas por todo o ambiente que é criado. Foi minha primeira vez de muitas que irei”, conclui Zambrone.
“Queremos fazer algo que seja para todos – do careta ao mais moderno. É legal porque ninguém está preocupado com nada, as pessoas só querem se divertir. Desde a primeira vez, é tudo muito espontâneo. Como era uma novidade, fomos vendo até onde ia”, comenta Suzana Trajano.
Ohana Fernandes, estudante de moda, de 23 anos, se anima para a pool party mesmo encontrando problemas pra sair durante o dia no verão. “Eu sou muito calorenta, mas eu adoro o clima da festa, principalmente quando encontro uma sombrinha. Eu gosto de ver como as pessoas vão vestidas, o pessoal se inspira e vai à caráter.”
Cada edição, que acontece todos os sábados até 07/02, tem um tema próprio. A do segundo sábado de janeiro leva o título de “Fofoca na piscina”, em parceria com a festa Fofoca. Mas esta não será a única piscina dentre as festas. No Club222, extensão do hotel boutique Casa Mosquito, a Préliminaire acontece em volta da piscina com vista de 360° da cidade. A música vai do samba ao dubstep e coloca pra dançar todos os dias até domingo, 11/01.
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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: Bebete Vãobora deu início as festas de verão no Arco do Teles, em 2015. (Crédito: Divulgação)