Museu do Ingá inaugura nova fase

Exposição une pesquisa histórica com interatividade para contar a história fluminense

“Você sabia que as únicas usinas nucleares do Brasil estão em Angra dos Reis? Que a primeira ferrovia do Brasil foi construída em Magé? Que o nome Nilópolis é uma homenagem a Nilo Peçanha?”. De degrau em degrau, frases como essas decoram as escadas do hall de entrada do Museu do Ingá – um espaço da Secretaria de Estado de Cultura (SEC) – em Niterói, e transportam o público para um universo de histórias e memórias do estado do Rio de Janeiro. Esta é a proposta da nova mostraTrajetórias – Ingá: Do Palácio ao Museu do Estado, uma realização da SEC com patrocínio da Petrobras e do Governo do Rio de Janeiro, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.

Inaugurada no sábado, 29 de novembro, a mostra fica exposta durante um ano e marca o início da nova fase do museu , que vem trabalhando há três anos, sob a coordenação da Superintendência de Museus da SEC, na estruturação de novos eixos curatoriais para o espaço, através do reconhecimento do seu papel como um importante local de memória da história do estado. A requalificação do Museu do Ingá recebe também apoio do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC), órgão da SEC, e da Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (FUNARJ), ao qual é vinculado.

Ao longo de quatro salas e um corredor, fotos, objetos, filmes e plataformas interativas contam a história fluminense e do próprio Palácio Nilo Peçanha, atual Museu do Ingá, que foi sede do governo estadual, antes da fusão com a Guanabara, em 1975. “A fusão vai fazer 40 anos no ano que vem e acho que até hoje existe uma dificuldade de entender o estado em sua totalidade. Essa exposição vem, então, em encontro ao resgate da identidade fluminense”, afirma Carlos Fernando Andrade, curador da mostra.

“Quase ninguém se lembra que, antes, existiam dois estados: a Guanabara e o antigo estado do Rio. A história e a memória deste último foram completamente solapadas pela fusão. Existe aí um problema de uma memória propositalmente esquecida, que tem relação com a ditadura e que tem relação também com as necessidades políticas do pós-fusão”, afirma a historiadora Andréa Telo, curadora da sala Tempos de Política, que expõe detalhes do percurso político do antigo estado do Rio, através de documentação sobre as trajetórias de lideranças como Nilo Peçanha, Ernani do Amaral Peixoto e Roberto Silveira. Nesta sala, o público tem acesso a um conteúdo interativo formado por fotografias, discursos, hinos e documentos históricos do período, mais entrevistas com historiadores e especialistas.

Outro ambiente da mostra é a sala “Formação: Terra, Homem e Cultura”, que apresenta um dos grandes destaques da exposição: uma mesa interativa que permite ao público um passeio por temas geográficos, econômicos e culturais através da visão do historiador e geólogo Alberto Lamego. Entre os anos 1940 e 1950, Alberto dividiu o estado em quatro regiões – a Serra, o Brejo, a Restinga e a Guanabara. “A mesa possui um mini-sensor de gestos, que funciona à base de infravermelho. Com ele você consegue, sem tocar na tela, atuar como se estivesse segurando um mouse”, conta Nei Caramês, da 32 bits Criações Digitais, empresa responsável pela produção da mostra e que, pela primeira vez, faz uso dessa tecnologia numa exposição.

Na última sala da mostra – o espaço O Novo Ingá -, os visitantes têm a chance de fazer uso de aplicativos em iPads e gravar depoimentos sobre o museu e suas ações futuras.

Para Mariana Várzea, superintendente de Museus da SEC, o grande diferencial dessa exposição está no seu caráter participativo.  “É muito importante, nesse momento do Museu do Ingá, que se conte sua história, que é tão interligada com a própria construção do estado do Rio de Janeiro, e que também se convide o público a participar e opinar sobre seu futuro. A gente quer realmente que as pessoas participem; que o estado do Rio se encontre nesse museu”, diz a superintendente.

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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/

Fotografia: otos, objetos, filmes e plataformas interativas contam a história fluminense  (Crédito: Vânia Lanjeira)

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