Eduardo Srur traz ao Rio obra feita com 20 mil ratos de plástico
A intervenção Farol tem seis metros de altura por quatro de diâmetro e ficará na lateral da Casa França-Brasil
É difícil observar a nova intervenção do artista paulistano Eduardo Srur e não se lembrar da música dos Titãs, Bichos Escrotos: “Bichos! / Saiam dos lixos / Baratas! / Me deixem ver suas patas / Ratos! / Entrem nos sapatos / Do cidadão civilizado”. Inteiramente revestida por nada menos que vinte mil ratos de borracha, a obra representa um farol marítimo com seis metros de altura por quatro metros de diâmetro e abrigará uma cúpula cenográfica, simulando a sinalização náutica dos portos. Farol foi apresentada pela primeira vez no ano passado, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, e chega nesta segunda-feira (24/11) à Casa França-Brasil, onde fica em exposição, ao ar livre, até 5 de janeiro.
“O farol negro simboliza o submundo, o que não vemos. Um dos objetivos da arte é tornar visível tudo aquilo que os olhos não veem. Antes de pensar no projeto, fiz uma pesquisa e constatei que São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador são as cidades com a maior quantidade de ratos por pessoa. Em São Paulo, por exemplo, são 15 ratos por habitante”, comenta Srur, que pretende chamar a atenção do público com a intervenção. “Busco aproximar o público e captar o interesse das pessoas que são atingidas e que não costumam frequentar muito os museus”, diz.
Função política e simbólica
Artista e ativista, Srur nasceu em São Paulo, onde ainda vive e trabalha. Já realizou diversas intervenções urbanas, a maioria delas na própria capital paulista, sempre movido por um desejo em comum: apontar para a importância das questões ambientais e urbanas, muitas vezes esquecidas pela população. Ainda este ano, o maior aquário da América do Sul, localizado na Praia da Enseada, no Guarujá, recebeu a exposiçãoAquário Morto, composta pelo lixo sólido recolhido nas praias da região. Em 2008, as margens do rio Tietê abrigaram esculturas gigantes em formato de garrafas plásticas com a intervenção Pets. Em Caiaques, realizada em 2006, outro rio da cidade, o Pinheiros, recebeu dezenas de caiaques coloridos que flutuaram sobre suas águas poluídas. Com Farol, sua nova intervenção, não poderia ser diferente. “A obra também representa uma provocação política, no sentido de revelar tudo que é sujo, mas que existe. Outra interpretação possível é o simbolismo envolvido, já que está em uma área portuária e, no entanto, não tem nenhuma função de sinalização para as embarcações”, esclarece.
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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: O artista brinca com a matéria-prima utilizada em sua obra (Crédito: Divulgação)