Malu Fatorelli explora a passagem do tempo
Clepsidra – Arquitetura Líquida reúne videoinstalações, gravuras, vídeos e desenhos que têm o mar de Ipanema como protagonista
Ao longo de sua história, o homem criou diversos sistemas para tentar mensurar a relação entre o tempo e o espaço. Quadrante solar, ampulheta e clepsidra ou relógio de água são alguns exemplos, este último o mais antigo deles, com os primeiros modelos datando de, aproximadamente, 1600 a.C, no Egito. Para medir os intervalos de tempo da maneira mais precisa possível, eram utilizados dois recipientes, um na parte superior, contendo água e um pequeno furo, e outro na parte inferior, inicialmente vazio e com uma série de marcações internas. O princípio é semelhante ao utilizado nas ampulhetas, cuja demarcação acontece através da areia. Se apropriando deste antigo método empregado pelos egípcios, a arquiteta e artista plástica Malu Fatorelli reúne uma série de vídeos, gravuras, desenhos e videoinstalações (total de 27 obras), para melhor explorar a relação temporal através do movimento das ondas do mar de Ipanema em sua nova exposição,Clepsidra – A Arquitetura Líquida, aberta ao público a partir desta quinta-feira (4/12) na Galeria Laura Alvim, localizada na Gávea. A curadoria é de Glória Ferreira.
A parceria entre Malu e Glória se repete há alguns anos. “Esta parceria vem da época em que a Malu fez Doutorado em Linguagens Visuais na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Na ocasião, eu fui sua orientadora. O trabalho dela é muito interessante, existe uma relação com o tempo, a arquitetura, o mar, com questões científicas e elementos que compõem a cidade do Rio de Janeiro. Em Clepsidra, ela transforma a sala da galeria em um grande recipiente para a medição do tempo”, esclarece a curadora.
Relação com a cidade e com o tempo
Uma das características do trabalho de Malu é a mistura dos materiais tradicionais relacionados à arte, como telas, tintas e pincéis, e elementos do dia a dia na cidade, como a série de chaves criadas em 2008 que reproduziam, em seu segredo, paisagens referentes ao Pão de Açúcar e à Lagoa Rodrigo de Freitas. A mistura se repete neste novo trabalho, em que a videoinstalação de mesmo nome reproduz, sobre todas as paredes da sala em frente à praia, uma projeção panorâmica em 360º do mar de Ipanema.
“Em relação à cidade do Rio de Janeiro, gosto de destacar aspectos da paisagem relacionados com os lugares onde estou trabalhando. Na videoinstalação Clepsidra eu trouxe o mar de Ipanema para dentro da arquitetura, em uma imagem de 360º, na qual as ondas vão descendo, como se estivessem escoando, e as marcas vão aparecendo, como pautas demarcando a passagem do tempo. Ela leva oito minutos para escoar totalmente, depois ela sobe e o processo se inicia novamente. Eu procurei pensar a arquitetura como se fosse esse vaso antigo cheio de água, que vai escoando lentamente, por isso chamei de arquitetura líquida. Os outros trabalhos da exposição, como desenhos e pinturas, também evidenciam a passagem do tempo e a relação com o mar de Ipanema”, pontua a artista.
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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: Mar de Dentro é uma das obras em destaque que remetem às ondas do mar (Crédito: Divulgação)