Exposição retrata os primeiros quatro anos da EAV do Parque Lage
EAV 75.79 – Um Horizonte de Eventos mostra a primeira fase da escola e torna pública a digitalização de mais de 12 mil documentos de sua história
Com cerca de sessenta professores e mais de dois mil alunos, a Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV), inaugurada em 1975, se tornou um polo de experimentação artística nesses quase 40 anos de atividades. Profissionais ampliam seu contato com os mais diversos campos da arte através de cursos, palestras, seminários, festivais e exposições, como a EAV 75.79 – Um Horizonte de Eventos, aberta nesta terça-feira (4/11) para o público e seguindo até 11/1. A mostra tem curadoria de Helio Eichbauer e Marcelo Campos. Gravuras, objetos, fotografias, cartazes, filmes e documentos retratam o primeiro quadriênio da história da instituição fundada e dirigida por Rubens Gerchman (1942 – 2008).
As obras expostas são fruto do projeto Memória Lage, coordenado por Campos, que foi contemplado em 2012 pelo programa Petrobras Cultural. “A mostra é uma dupla celebração. Além de dar destaque aos protagonistas que marcaram a gestão inaugural, comemora a possibilidade de tornar público o projeto Memória Lage, que se empenha em sistematizar, catalogar e digitalizar doze mil documentos que hoje compõem os arquivos da EAV. A curadoria de Eichbauer e Campos é o primeiro fruto de uma iniciativa que não deve ser restrita a olhar para o passado”, esclarece Lisette Lagnado, diretora da escola.
Para Campos, o momento histórico abordado pela exposição era de tímida abertura política em meio a um governo totalitário. “Sabemos que o período entre 1975 e 1979 foi de exceção na cultura brasileira. A Escola de Artes Visuais do Parque Lage se configurou, então, como um lugar que iluminava o entorno das artes e da cultura, enquanto todo resto era obscuro, incerto e reprimido”, explica o curador. “Selecionamos materiais que compreendem eventos seminais, ocorridos no âmbito da EAV. Ao mesmo tempo, percebemos fatos políticos e socioculturais que ampliam as noções de ensino da arte e da liberdade de criação em uma época marcada pela ditadura militar. Também destacamos a iniciativa inovadora de Gerchman em gerir uma escola livre, com aulas abertas à comunidade, com o empenho em incluir eventos relativos à cultura negra e à cultura popular”, conclui.
———-
Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: Obra Boa Noite, criada por Rubens Gerchman em 1976 (Crédito: Divulgação)