Mostra de documentários África Hoje celebra Nelson Mandela

Em sua terceira edição, evento vai até o dia 12/11, no Instituto Moreira Salles

A África é o segundo continente mais populoso do mundo, atrás apenas da Ásia. São cerca de um bilhão de pessoas que representam etnias, políticas, culturas e histórias diferentes, com as quais o Brasil manteve contato direto por aproximadamente 360 anos, durante o regime escravocrata. Apesar de ter sido fundamental para a construção da identidade brasileira, ainda há muito o que se descobrir sobre a África.

A fim de sanar essa carência, a mostra África Hoje, que chega a sua terceira edição com uma homenagem a Nelson Mandela, oferece um vasto panorama da produção africana contemporânea de documentários, com 16 longas e médias metragens de países como Madagascar, Moçambique, República Democrática do Congo, Angola, África do Sul, Portugal e França, a maioria deles ainda inédita em circuito nacional. Entre os destaques, estão Ady Gasy, que retrata a maneira com que o povo de Madagascar conduz a vida, através da liberdade e da solidariedade; Mandela: Filho de África, Pai de uma Nação, biografia respeitada e reconhecida nos festivais internacionais, e Vou Cantar para Ti, filme de abertura que explica as origens do blues através do músico malês Kar-Kar. A mostra é coordenada por Mariana Marinho e tem curadoria de Luciana Hees, que participa de um debate, neste sábado, às 18h, sobre o continente africano e suas dificuldades, acompanhada de Emir Silva, coordenador nacional de formação política do Movimento Negro Unificado (MNU). África Hoje segue em cartaz até 12/11 no Instituto Moreira Salles (IMS), na Gávea, bairro da Zona Sul da cidade.

A riqueza da cultura africana

“A ideia de criar esta mostra de documentários surgiu a partir do nosso encantamento com a produção audiovisual africana, que é muito rica, com bons filmes. Também tínhamos uma vontade grande de mostrar a riqueza cultural do continente: a dança, a música, a expressão e a diversidade. Achamos interessante essa diversidade cultural e temática, pois temos informações muito institucionalizadas, somente sobre conflitos e doenças. Então o objetivo da mostra é trazer bons filmes que desconstruam um pouco a visão única da África que temos, além de provocar reflexões sobre a realidade de um continente em ascensão através de obras contemporâneas”, afirma Mariana, que explica, ainda, a homenagem a Nelson Mandela. “A principal característica dele que chamou nossa atenção foi o de condutor da paz através da luta pela igualdade, contra o preconceito e a violência. Mandela tem uma história belíssima de luta e conduta, é um líder de referência mundial até hoje”.

Oportunidades e dificuldades

Para a coordenadora, a mostra é uma oportunidade de assistir a produções cinematográficas de qualidade e pouco difundidas. “A premissa é trazer bons filmes que são exibidos em cinemas de arte europeus ou em festivais internacionais, mas que não chegam aqui, pois não têm um mercado exibidor, o que é uma pena”, diz  Mariana, que tem de enfrentar algumas dificuldades para dar prosseguimento à mostra. “Um desafio que nos acompanha como realizadores e produtores é o de conseguir recursos, porque este não é um festival estritamente comercial, apesar de ser rico e ter um público cada vez mais cativo.  Outro desafio é a seleção dos filmes. Por se tratar de um continente muito amplo, traçar uma curadoria interessante, diversa, não necessariamente temática e apresentar bons produtos não é tarefa das mais fáceis. Por fim, despertar o interesse do público, principalmente dos jovens, que a mídia conduz para o viéis mais comercial”, acredita.

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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/

Fotografia: Vou Cantar Para Ti, do diretor Jacques Sarasin, abre a mostra (crédito: Divulgação)

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