No escurinho do cinema
Festival do Rio começa nesta quarta e segue até o dia 8/10 com 350 filmes em exibição
Nos próximos 15 dias, todos os olhares da cidade estarão voltados para a 16ª edição do Festival do Rio, que exibirá 350 filmes das mais de 60 países, em locais como Estação Botafogo, Instituto Moreira Salles e Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), totalizando cerca de 30 espaços culturais. Com o Cine Odeon fechado para obras, o Cinépolis Lagoon será a referência para as sessões de gala da Première Brasil e para aquelas que contam com a presença de diretores, como o longa Trash – A Esperança vem do Lixo, de Stephen Daldry (Billy Elliot, As Horas e O Leitor). Com nomes como Wagner Moura, Selton Mello e Martin Sheen, o longa foi selecionado para a cerimônia de encerramento. O Sal da Terra, documentário de Juliano Ribeiro Salgado e Wim Wenders, por sua vez, é o escolhido para a abertura do festival, hoje, e narra a vida e obra do fotógrafo Sebastião Salgado.
“Este ano, apesar de o Odeon estar de fora, teremos as seis salas do Cinépolis Lagoon. Além do circuito habitual teremos o Cine Jóia, o Museu da República, Manguinhos, CCBB e outros pontos de exibição espalhados pela cidade. Estamos apostando em uma maior aproximação entre público e nossos convidados, com mais sessões com presença de diretores e atores dos filmes. Além dos tradicionais encontros e debates no Pavilhão, vamos promover encontros de diversos temas no CCBB”, comenta llda Santiago, diretora do festival.
Homenagem a diretores e a clássicos do cinema
Com 21 mostras, algumas já bem conhecidas pelo público, como Panorama, Expectativa 2014, Première Brasil e Meio Ambiente, por exemplo, quatro delas serão dedicadas a grandes cineastas: Clássicos Alfred Hitchcock, com a exibição de cinco longas mudos do mestre do suspense acompanhados ao vivo de piano; 6x Rossellini, que inclui clássicos comoRoma, Cidade Aberta e Viagem à Itália; Hugo Carvana, Homenagem ao Malandro, em comemoração aos quarentas anos de Vai Trabalhar Vagabundo, primeiro filme do diretor e, por fim, A América Maldita de Michael Cimino, com a filmografia completa do diretor ítalo-americano.
Dois aniversários de clássicos do cinema também serão lembrados nas mostras Midnight Terror e Midnight Música, respectivamente: O Massacre da Serra Elétrica, de Tobe Hooper, que comemora quarenta anos de lançamento com a exibição de sua versão original restaurada e A Hard Day’s Night: Os Reis do Iê ê Iê, de Richard Lester, que comemora cinquenta anos. “Um dos momentos mais gratificantes do Festival do Rio é quando colocamos a programação na rua e o público faz seu próprio festival, escolhendo filmes, trocando iinformações e dicas nas filas dos cinemas e nas redes sociais. Nessa hora percebemos que sim, há lugar para 350 filmes de todos os gêneros, de todas as épocas. Já recebemos e-mails de cinéfilos que só querem saber de assistir aos clássicos de Hitchcock com piano ao vivo”, relata Ilda.
Foco México
O México é o país homenageado este ano, com cinco filmes que narram sua história e cultura em exibição na mostra Clássicos Mexicanos, como O Compadre Mendoza e Cantinflas, que está na disputa pelo Oscar de melhor filme estrangeiro, assim como o longa brasileiro Hoje Eu Quero Voltar Sozinho. “Sempre procuramos exibir produções mexicanas, pois o país possui uma cinematografia rica e bastante particular. Este ano vamos misturar os inéditos com os clássicos: Falando com Deuses, de Guillermo Arriaga, já conhecido do público e um dos nossos convidados;González, do estreante Christian Díaz Pardo e Cantinflas, sobre um dos maiores humoristas mexicanos e que vai representar o México no Oscar 2015 de melhor filme estrangeiro. A procura pelos clássicos mexicanos tem nos surpreendido. Na minha opinião todos são imperdíveis”, comenta a diretora do festival.
Mostra Gay
Uma das grandes novidades é o fim da Mostra Gay e a chegada do Prêmio Felix, com um júri presidido por Wieland Speck, diretor da mostra Panorama do Festival de Berlim e cocriador do Prêmio Teddy. “Essa ideia, na verdade, foi amadurecendo nos últimos anos, pois sentíamos a necessidade de acompanhar o comportamento natural da sociedade e que, obviamente, se reflete no cinema, na música e nas artes. Desse modo, decidimos espalhar os filmes com temática LGBT por outras mostras e convidar um júri para eleger o melhor filme gay da programação do Festival, como acontece com o prêmio Teddy, em Berlim. Assim nasceu o Prêmio Felix, que em latim, quer dizer ‘feliz’”, explica Ilda. Dentre os filmes em exibição, 43 representam a cultura LGBT.
Passaportes
Já estão disponíveis os passaportes que dão direito a vários ingressos. O pacote com vinte sai a R$ 200,00; com cinquenta, sai a R$ 450,00. As compras devem ser efetuadas através do site www.ingresso.com. Eles são válidos somente para as seguintes salas: Cinépolis Lagoon 1, 2, 3, 4, 5 e 6; Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF) 1 e 2; Estação Botafogo 1 e 3; Estação Ipanema 1 e 2; Estação Rio 1, 2 e 3; Instituto Moreira Salles; Leblon 2; Roxy 3 e São Luís 3 e 4.
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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: Documentário O Sal da Terra abre o Festival (Crédito: Divulgação)