Tríptico Samuel Beckett
Peça baseada em textos do autor irlandês traz Nathalia Timberg como destaque
Em Tríptico Samuel Beckett, que estreia neste fim de semana (5/9) no Espaço Sesc, em Copacabana, uma mulher, em três fases distintas da vida, – infânicia, maturidade e velhice – reflete sobre seus medos, dores e anseios, em uma personificação dos sentimentos que afligem toda a humanidade, ao passo que traz à tona as questões formais e existenciais propostas pela escrita de Beckett. A mulher é representada pelas atrizes Paula Spinelli (infância), Juliana Galdino (maturidade) e Nathalia Timberg (velhice).
A peça, que segue em cartaz até o dia 28 de setembro, é dirigida por Roberto Alvim, em uma adaptação cênica de três textos do dramaturgo irlandês Samuel Beckett, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura: Para o Pior Avante, Companhia e Mal Visto Mal Dito. “Juntos, eles formam a trilogia final escrita por Beckett, seu testamento artístico e existencial, uma síntese das questões estéticas e invenções formais presentes em toda a sua obra”, explica o diretor do espetáculo.
Tríptico, que chega ao Rio de Janeiro após uma temporada em São Paulo, é uma estreia em muitos aspectos: estes textos nunca haviam sido representados no Brasil, assim como o diretor Roberto Alvim nunca havia dirigido um espetáculo do autor irlandês e a atriz veterana Nathalia Timberg encenado uma peça de Beckett na carreira. “Sempre tive o desejo de dialogar com a obra de Samuel Beckett, desde que comecei a dirigir teatro. Ela nos confronta com a morte e com a ausência de significado, mas nos propõe, ao mesmo tempo, uma transformação poética no modo de lidarmos com o implacável”, afirma Alvim.
Produção minimalista
A peça de Roberto Alvim tem um cenário minimalista, com poucas luzes e, muitas vezes, não há diálogo entre as três atrizes, que permanecem juntas no palco durante todo o espetáculo. “O palco emite signos que atuam como sementes que crescem no imaginário e na sensibilidade de cada espectador. Para nós, tratava-se de reduzir os meios de expressão cênica, em analogia com o que Beckett faz em sua dramaturgia, e descobrir qual é o mínimo necessário para disparar sensações intensas e inomináveis”, esclarece o diretor.
Tríptico marca, também, a volta de Nathalia Timberg ao teatro, depois de um período de quatro anos afastada dos palcos. Para Alvim, a atriz é a melhor de sua geração, o que fez com que a escolhesse para sua montagem. “Nathalia trabalha a partir das palavras do autor. Ela permite que a linguagem a conduza por caminhos desconhecidos”, conclui.
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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: As atrizes Paula Spinelli, Nathalia Timberg e Juliana Galdino, da esquerda para a direita (Crédito: Divulgação)