O maior baile da cidade
Programação da quarta edição do evento Rio Parada Funk, a primeira inserida no calendário oficial do Rio, reúne shows, peças de teatro e exposição
O Rio Parada Funk, evento que reúne cerca de 200 atrações no dia 14 de setembro, na Avenida Marquês de Sapucaí, funciona tal como um famoso verso do ritmo: não para, não para não. Aliás, tanto não para que só faz crescer. Impulsionada pelo reconhecimento do gênero como patrimônio cultural da cidade pela prefeitura em dezembro de 2013, a quarta edição do evento começa um mês e meio antes do grande dia e antecipa o baile com conferências, peça de teatro, intervenções urbanas, exposição e flashmob com dançarinos das Batalhas do Passinho e dos Barbeiros.
Ora criticado pelo teor violento e sexual das letras, ora exaltado por ser uma das mais fortes expressões da arte da favela, o funk morre de preconceito, mas logo renasce nos pés dos dançarinos e na voz dos MCs e dá cada vez mais a cara a tapa, como explica Mateus Aragão, organizador do evento desde 2011.
“A entrada do Rio Parada Funk para o calendário oficial da cidade é apenas mais um dos movimentos que legitimam o trabalho dos funkeiros, a arte deles, e gera mais oportunidades e espaço para quem trabalha no meio. Desta forma, conseguimos contribuir para o crescimento de todos os segmentos do funk, como a produção de clips, a profissionalização das equipes de som, dos compositores e dos dançarinos. Além de promover um grande encontro no dia do baile”, diz Aragão.
“É uma luta que segue”, complementa Aragão sobre o longo caminho da busca pelo reconhecimento do gênero. Essa continuidade permeou grande parte da abertura da III Conferência Funk realizada no Palácio Gustavo Capanema, no Centro do Rio, no dia 5 de agosto. Um dos temas mais abordados foi o fechamento de bailes funks clássicos em diversos pontos da cidade. “Sem espaço, a cultura morre”, afirmou Aragão, que reivindicou ao lado do DJ Malboro, do MC Smith e outros MCs, a reabertura, por exemplo, do tradicional Baile Funk do Clube dos Magnatas, fechado há mais de 20 anos, no Rocha, na Zona Norte do Rio. O governador do estado, Luiz Fernando Pezão, assumiu um termo de compromisso na tarde de ontem a fim de checar a possibilidade de reabertura destes bailes. A série de conferência acontece também nos dias 12, 19 e 26 de agosto, também no Palácio Gustavo Capanema, com entrada gratuita, das 18h às 20h.
Enquanto a disputa simbólica e física do movimento permanece em jogo, no dia do evento não existirá este impasse. Cerca de 200 artistas e equipes de som se apresentarão em 13 palcos espalhados pela passarela do samba. Na casa do carnaval, o passinho será outro, mais acelerado e suingado. E os trajes, mais simples: bonés e tênis, um short jeans. O evento deve atingir a lotação máxima de 20 mil espectadores, informa Aragão. Mas para participar, no entanto, é preciso se inscrever no siteRio Parada Funk. As atrações, conta Aragão, só serão confirmadas uma semana antes do evento.
‘O funk não mata e faz parte da história da Música Popular Brasileira’
Preocupada em preservar a história do funk, a Parada tem como uma de suas marcas os palcos dedicados a épocas e artistas importantes, assim como apontar para o futuro do movimento.
Neste caminho, a programação que antecede o festival apresenta no dia 13 de agosto, no Sesi-Centro, a peça Funk Brasil – 40 anos de baile, dirigida por Pedro Monteiro e baseada no livro Batidão – Uma história do funk. O texto resgata o percurso do gênero musical e permite reflexões sobre a importância do Funk para a formação da identidade da cidade, da favela e da música no Brasil.
Após dois anos em cartaz pelo país, Monteiro avalia que a história do funk é a história do que o gênero representa, ou seja, a voz da favela, da vaidade nos morros, do modo de namorar nos bailes e outros aspectos que vivem à margem das canções brasileiras compreendidas como “tradicionais”.
A peça-baile encenada por seis começa a partir do Baile da Pesada, no Canecão dos anos 70. Da Zona Sul ao subúrbio, a batida toma conta e passa pela formação de coletivos como Black Power, Revolução da Mente e Soul Grand Prix, que ocupam localidades como Leopoldina, Méier, Cascadura, Marechal Hermes, Madureira, Rocha Miranda e Oswaldo Cruz. A narrativa, eplica Monteiro, segue até a Batalha do Passinho e tem ajudado na descontrução dos preconceitos que rondam o mundo do Funk e seus artistas.
“Já estou na estrada há dois anos e quanto mais é feito o espetáculo, maior o número de pessoas que convidam outras pessoas e que diminuem o preconceito com o ritmo Funk. Não estou ali para levantar nenhuma bandeira além da minha. O funk não mata, não maltrata, é apenas um ritmo e isso se associa à aspectos que prefiro nem comentar. É só música e é de tijolinho em tijolinho que estamos mudando essa história”.
Confira a programação completa do evento.
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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: O evento Rio Parada Funk acontece no dia 14 de setembro, na Praça da Apoteose (Crédito: Divulgação)