Artevida abre segunda etapa
Instalação e mostra com 164 trabalhos no MAM integram a nova fase da exposição
O artista beninense Georges Adéagbo, de 73 anos, montou uma instalação inédita com fotografias e objetos que trouxe de seu país e com roupas, documentos, jornais e acessórios que garimpou em brechós e sebos cariocas para a inauguração da segunda fase da exposição artevida, a partir deste sábado, 19, no Parque Lage. A mostra segue até o dia 21 de setembro.
Ao se deparar com a obra intitulada “Pierre Verger le photographe, au Brésil”…! La mort e la résurrection de Pierre Verger..! ou “Fotógrafo Pierre Verger, Brasil”..! Morte e ressurreição de Pierre Verger..!” é fácil traçar a ligação entre entre a África e o Brasil e relembrar o trabalho de identidade negra-africana-brasileira do fotógrafo francês que dá nome à obra. A construção desta ponte segue no trabalho de Adéagbo, que mistura capas de jornal brasileiros e africanos, pôsteres, capa discos (um deles é o Tropical, da Cantora Gal Costa) com máscaras afro e mantos.
Este trabalho feito especialmente para exposição e outros se juntam às obras que estão em exposição, desde o dia 27 de junho, na Biblioteca Parque Estadual (BPE), na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV), na Casa França-Brasil e no Museu de Arte Moderna (MAM). Nesta segunda etapa, aliás, o Museu recebe a parte mais pungente da exposição, com 164 trabalhos – mais da metade do total de 300 obras que compõem a mostra – de 54 artistas.
Sob a curadoria de Rodrigo Moura e Adriano Pedrosa, o MAM recebe os trabalhos da seção artevida (política), um dos eixos principais da mostra ao lado de artevida (corpo). Artistas como o inglês John Dugger, o palestino Abdul Mosallam e chilena Cecilia Vicuña abordam em suas obras temas como o feminismo, o racismo, a democracia, as eleições, guerras e revoluções.
A BPE expõe o arquivo da artista Graciela Carnevale, membro do Grupo de Arte de Vanguardia de Rosário, na Argentina. No arquivo da artista, que contou com cocuradoria de Cristiana Tejo, há fotografias, documentos e recortes de jornais e documentos sobre a agitação da cena artística da avant-garde da região, nos anos 1960. O arquivo composto por cerca de 400 itens do artista multimedia e poeta Paulo Bruscky segue em exposição.
O Parque Lage, além da instalação de Adéagbo, já abriga a obra “RED (Shape of Mosquito Net)”, de 1956, da japonesa Tsuruko Yamazaki, suspensa à beira da piscina. Lá também, no palacete, está o trabalho da brasileira de Martha Araújo, peças de vestuário em tecido e velcro que o público pode interagir.
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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: Karl Marx (1972), da chilena Cecilia Vicuña, em exposição no MAM (crédito: Divulgação)