Música, arte e moda no Méier

Nova frente cultural movimenta o bairro da Zona Norte carioca

Ponto final de ônibus, saída da estação de trem, próximo ao Baixo Méier, no cortante da rua Hermengarda com Dias da Cruz. Ali, na praça Agripino Grieco, no Méier, zona norte do Rio, é o ponto de encontro cultural promovido há seis meses pelo coletivo Perto do Leão Etíope do Méier. Na programação gratuita, arte e música.

A iniciativa do produtor cultural Pedro Rajão, morador do bairro e colaborador do Norte Comum, reúne os mais velhos, crianças e jovens no anfiteatro da praça. O que antes era mensal, se tornou semanal. O experimentalismo musical do maranhense Negro Leo, o grupoTambores de Olokun e seu maracatu de baque virado, os colombianos de Kafrika Folkpop, a frente cultural brasiliense Criolina e o trio de surf music carioca Beach Combers são alguns dos nomes que passaram pelo lugar nos últimos meses.

Com a icônica estátua do imponente leão dourado como símbolo do movimento, Rajão se reapropia do significado original e faz referência à Etiópia. Se desde 1989 era a representação da organização humanitáriaLions Club International, hoje, também ilustra o movimento. “O Leão de Judá é reverenciado pela cultura rasta e figura a união das nações africanas. A ligação foi uma brincadeira, por ser um ícone de resistência e propagação da cultura negra, que sempre procuro inserir na programação”, explica.

Por enquanto, Rajão é quem organiza, articula, divulga, busca apoio e até vende cerveja, mas reconhece o projeto como “um filho que tem que ir pro mundo”. A Zona Norte dobrou a curva do eixo Lapa – Zona Sul ao oferecer novas opções culturais. Desde a retomada do Centro Cultural João Nogueira, famoso Imperator, em 2012, o impulso se tornou ainda mais forte na localidade. Das rodas de capoeira às batalhas de MC, a praça Agripino Grieco está povoada.

“A cultura espontânea de rua se perdeu do final dos anos 80 pra cá – cinemas viraram igrejas e o Imperator havia se tornado mercado de artesanato. Sentia falta de usar o espaço coletivo e quando ocupamos a praça deu-se um encontro muito bonito. Meninos vendedores de bananada, playboys, senhora passeando com cachorro e artistas, todos juntos de forma muito natural”, descreve Rajão.

Quem anda pelas redondezas com a máquina fotográfica sempre a postos para registrar quem passa por ali é a produtora e co-criadora doZona Norte Etc Carol Rabello, site inspirado no Rio Etc. Moradora do Méier há 31 anos (desde que nasceu), ela encontra na praça material para parte das postagens de moda no blog do projeto. A cada clique, um perfil de estilo começa a ser mapeado.

“Comecei a observar que tem muita gente criativa, mas sem espaço. A zona norte carrega consigo cor e mistura de estampas. Vejo muita gente se jogando na combinação. Cheguei a conclusão que as pessoas se influenciam muito pela moda da TV, o que determinado artista está usando na novela. A partir disto, elas criam e adicionam personalidade, sem pudor.” , observa a produtora. Ela conta que, nos meninos, o ítem mais característico é o boné, acompanhado do cabelo bem cortado e até sobrancelha feita.

O projeto de moda ganhou forma há dois meses, entre Carol, seu marido e mais dois amigos. Apesar do pouco tempo de site no ar, os criadores já escutam “estou andando arrumada para ser fotografada”.  Carol conta que, em dia de evento do Leão Etíope, Rajão liga para avisar, e o que também costuma ouvir muito agora pelo Méier é “vamos ali no Leão”.

“É um trabalho de formiguinha. O movimento acaba unindo muita gente do bairro que tem vontade de produzir. O Méier é terra de João NogueiraLima Barreto e do próprio Agripino Grieco. É muita cultura que não pode ficar escondida”, conclui Pedro Rajão, que recebe ajuda da floricultura da Tia Célia para fornecer a luz do evento.

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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/

Fotografia: O som experimental de Negro Leo na praça Agripino Grieco. (crédito: Marina Andrade)

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