Música e tradição no Ciclo do Café

Festival Vale do Café chega a 12ª edição com atrações espalhadas pela região histórica do estado

A visita ao passado que o Festival do Vale do Café explora pelas fazendas históricas em 14 cidades das regiões do Médio Paraíba e do Centro-Sul Fluminense traz pela primeira vez um encontro com a arte contemporânea na edição deste ano. A exposição Entre a Fazenda e Arranha-Céu ocupa diferentes espaços da Fazenda São Luís da Boa Sorte, em Vassoura. A fazenda é um dos destaques do projeto Mapa de Cultura, da Secretaria do Estado de Cultura do Rio.

O festival, que acontece entre os dias 7 e 27 de julho, é dedicado à música instrumental e relembra os antigos saraus dos barões do café e da musicalidade afro. Este ano, o homenageado é o compositor Dorival Caymmi e a expectativa é que 60 mil visitantes passem pelo circuito.

Os shows e recitais não acontecem só nas fazendas, mas em praças e igrejas de Vassouras, Valença, Rio das Flores, Paty do Alferes, Miguel Pereira, Engenheiro Paulo de Frontin, Paracambi, Mendes, Barra do Piraí, Piraí, Pinheiral, Volta Redonda, Barra Mansa e ainda Visconde de Mauá.

Já a exposição abre no meio do festival, a partir do dia 19 e contará com 12 obras das artistas Anna Bella Geiger, Ana Vitória Musi, Afonso Tostes, Franz Manata, Saulo Laudares, Jarbas Lopes, Mario Bands, Marta Jourdan, Neno Del Castilho, Sônia Andrade, Suzana Queiroga, Ronald Duarte e Xico Chaves.

Dentre as doze obras que ocuparão o espaço, revela o curador Fernando Cocchiarale, sete trabalhos são inéditos. Um deles é o morro de seis metros de altura que será construído pelo artista plástico Afonso Tostes. A ideia é que os visitantes subam essa montanha e tenham a mesma visão dos antigos barões do café. A terra foi retirada de um barranco do próprio terreno.

“As doze instalações ficarão no entorno da fazenda e cada uma delas terá um espaço. Temos trabalhos audiovisuais e obras no lago, onde um deque será construído na beira”, conta o curador.

Homenagem à Caymmi

As celebrações em torno da obra de Dorival Caymmi,  compositor que musicou a vida dos pescadores do litoral, têm vez no interior do estado. Um dos shows da fazenda Florença, em Valença, é um musical que percorre a vida do compositor baiano. Com uma comparação bem humorada ao poder de influência dos Beatles, Turíbio Santos, diretor musical do festival, exalta a obra de Caymmi.

“Se eu fosse comparar Caymmi com alguém, seria com os Beatles. Ele é sucinto e telegráfico. Podemos identificar os momentos dentro das músicas, a praia, Copacabana… Caymmi também previu muita coisa dentro da música popular brasileira, como Gilberto Gil e Tom Jobim.”

A homenagem se estende para outras apresentações. Fafá de Belém se apresenta com a Orquestra de Barra Mansa, sob a regência do maestro Vantoil de Souza. Além do tributo a Caymmi, a cantora inclui no repertório Coração de Estudante, consagrada como hino das Diretas Já, pela comemoração dos 30 anos de movimento. A apresentação faz parte das programações paralelas que comprovam a crescente expansão do evento para além das fazendas.

Para o diretor-geral Nelson Drucker, a certeza é que “não se pode mais pensar a região sem o festival”. Ele conta que a ideia é prosseguir agregando cada vez mais municípios.

“Há interesse em mostrar todas as facetas de um tempo em que, enquanto os barões faziam saraus com cantores de ópera na casa grande, o jongo e o maculelê vibravam nas senzalas”, enfatiza Druker que também chama atenção para o turismo histórico. Os passeios pela história de cada fazenda conta com vestimentas de época, prova de café colonial fresquinho e até taça de champagne de boas-vindas.

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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/

Fotografia: Concertos acontecem dentro de igrejas históricas. (crédito: Divulgação)

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