O jeitinho carioca

Entre vocabulários e comportamento, publicitário lança manual irreverente sobre o estilo de vida de quem vive no Rio

Em um passeio descompromissado pelo calçadão da Avenida Vieira Souto, em Ipanema, num dia de semana mesmo, dá para encontrar pelo menos dez “tiradas” do estilo de vida de quem circula pelo Rio de Janeiro listadas pelo escritor e publicitário André V. Eppinghaus, no livro“Carioca de A a Z: 50 sacadas para curtir o Rio” (Réptil editora).

Entre elas, um “partiu Ipa”? soaria como um típico convite carioca a um amigo para ir ao lançamento do livro, que acontece nesta segunda, no simbólico bairro carioca, às 18h30, na Casa Ipanema (Rua Garcia D’Ávila 77).

Entre a cultura da praia e os recantos da cidade, como a Quinta da Boa Vista e os bailes  funk, o livro destrincha com textos bem-humorados e fotos de cores quentes, os maneirismos de quem nasceu por aqui e de quem chegou por acaso, de turista, mas já “entrou na onda”. De olho nos turistas que estão pela cidade, o manual também ganhou uma versão em inglês “Carioca lifestyle A to Z: 50 words to get the Rio thing”. A escolha das sacadas, brinca o autor Eppinghaus, demorou anos:

“O critério de escolha das 50 palavras foi a observação de uma vida inteira. Escrevi uma lista inicial de 70 sacadas, mas não queria que o livro ficasse muito grande. Mas tudo já indica que faremos um segundo volume, porque o carioca é um personagem muito rico e quem visita o Rio quer conhecer ele, ser um pouco ele”, explica o autor que já morou em Santa Teresa, Tijuca, Copacabana e atualmente mora no Leblon.

Ele conta que teve a ideia de produzir no final do ano passado, a partir de uma dúvida sobre como explicar a palavra “parada” para um amigo inglês:

“Parada não é “parade” e nem “stop”, não é mesmo? Tive que me virar.”

A semente do livro, no entanto, não foi somente o amigo estrangeiro. André é o idealizador da Marca RJ e, em parceria com o Governo do Estado e estabelecimentos cariocas, difunde o jeito de ser de quem vive por aqui. O volume que chega às livrarias é mais um braço deste projeto.

Carioquês ideal

Um dia ideal criado a partir do imaginário do carioca seria mais ou menos assim: para marcar a praia, dá para dizer “demorô”. E depois de jogar “altinha” e “frescobol”, pegar “jacaré” e comer um “açaí sinistro”, a boa é ir para a “curtição” no “baixo”. Tudo isso misturado, diz Eppinghaus, se resume em duas palavras-chave do livro: “Beleza” e “cara”:

“A beleza do Rio está em todos os lugares, na favela, na mulher, e quando você conhece alguém também é de praxe dizer “beleza?”. E “cara”, é isso, é um carioca, “cara” é vírgula, está na boca de todo mundo”, diz o autor.

Além das sacadas do vocabulário carioquês, o livro também traz delícias culinárias. Desde o ovo rosa, típica iguaria onipresente ao lado da carne assada nos balcões dos botecos, até o que não é coisa nossa, como o açaí e a feijoada. A fruta e o prato não têm origem no Rio, mas foram incorporadas ao cardápio básico de quem mora e de quem está de visita na cidade.

“Não existe açaí no Rio e a feijoada é uma comida típica de escravos.  Nos apropriamos da fruta e do prato, e comer por aí é tão natural, que nos esquecemos que não fomos nós que criamos. O que não é nosso, mas tem a nossa cara, a gente “acarioca””.

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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/

Fotografia: Amigos jogam “altinha” em Ipanema, cena comum na orla carioca  (Crédito: Divulgação)

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