O lugar comum da Rocinha

Documentário desvenda passeios turísticos feitos na maior favela do Brasil

O fluxo de turistas no Rio de Janeiro aumentou 11,4% no ano passado, em relação à 2011 – ano do documentário Em Busca de Um Lugar Comum, de Felippe Shultz Mussel. O longa acompanha doze passeios à favela da Rocinha, considerada a maior do Brasil. A estreia no Rio de Janeiro está marcada para esta quinta-feira, 12/06 , dia da abertura da Copa, quando espera-se mais de um milão turistas, estrangeiros ou não, na cidade, segundo o Ministério do Turismo.

As visitas guiadas por comunidades cariocas dividem opiniões. Felippe Mussel começou a estudar o assunto em 2007, em parceria com a socióloga Bianca Freire Medeiros, autora do livro Gringo na Laje. O contato fez com que o diretor pudesse enxergar o lugar e suas construções nesse processo de se tornar ponto turístico.

“Existem sentimentos envolvidos e é interessante perceber como as empresas mercantilizam esses sentimentos e como os moradores os encenam. A Rocinha se torna um local de encontro, onde as pessoas mudam ao se encontrarem. E o título vem muito dessa reflexão: um lugar comum para convivência de todos. Mas também há crítica do comum carregado de clichê que ganha uma personalidade pasteurizada pelo mercado.”

Ao longo de 80 minutos o espectador se depara com depoimentos como: “daqui pode-se ver o contraste entre os ricos vivendo perto dos pobres”, “mas para que se mudar com uma vista linda todos os dias?” e “acho que os estrangeiros entendem melhor as favelas do que os brasileiros”. Para o diretor, elas são mais reveladoras do que qualquer frase dita durante entrevistas feitas com guias – que chegaram a ser feitas, mas não entraram na montagem.

A decisão justifica-se pela opção de mostrar o processo de mediação entre estrangeiros e moradores. Mussel explica que este era o momento do surgimento do sentimento. “Do contato entre os corpos e culturas as realidades afloram. Por isso, também optamos por usar imagens em vídeo e foto do turista. Este materiais tem uma dimensão que é impossível a gente acessar, é o olhar de cada um, o que e como eles decidiram guardar na memória”, explica.

O documentário recorta o período anterior à pacificação, quando os guias começam a incorporar este acontecimento nas explicações. Três sensações são exploradas: vontade de aventura, gosto pelo exótico e violência. Com o filme, o diretor conclui que é possível entender como, na cidade, tudo acaba em turismo, de forma roteirizada.

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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/

Fotografia: http://www.embuscadeumlugarcomum.com/Sobre-o-filme (Divulgação)

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