Marilá Dardot faz individual na Laura Alvim

Nove obras de diversas fases da artista estão expostas até agosto

Nove obras que exploram cor, geometria, tempo e literatura ocupam a Galeria Laura Alvim a partir desta quinta-feira, 05/06, e traduzem a carreira da artista Marilá Dardot nos últimos seis anos. A exposiçãoPouco a Pouco, com curadoria de Glória Ferreira, será inaugurada nesta quinta-feira, 05/06, e permanece até o mês de agosto.

Mineira, formada em Comunicação Social na década de 1970, Dardot tem uma ligação antiga com as letras. A artista plástica conta que a literatura está presente em suas obras desde seu primeiro trabalho, Livro de Areia, quando ainda frequentava a escola de artes. Para ela, as obras tratam de algo natural que acaba se tornando maior: a linguagem. “É através dela que nos conectamos com o mundo, nos comunicamos, discordamos e concordamos. Ela está sempre intermediando relações”, define.

Na individual, Dardot se relaciona com o trabalho de outros autores. Os versos dos poetas João Cabral de Mello Neto, Manoel de Barros, Murilo Mendes, Paulo Leminski, Gertrude Stein, entre outros,  estão na obraCores, nomes (2013-2014). Os poemas foram ampliados e tem suas folhas pintadas com guache que transborda o papel até alcançar as paredes. Outra obra literária utilizada com cores é Ulysses, de James Joyce.

Para a curadora, os visitantes são convidados a experimentar sensações. “A literatura ganha formas visuais que nos conectam aos nossos sentidos. Quando Marilá coloca estas obras para os visitantes lerem, dá a eles a chance de se conectar com as palavras e entendê-las de outras maneiras.”

Outro elemento explorado é o tempo. A meia-noite é também o meio-dia brinca com a passagem de horas em um relógio que demora o dobro do tempo para a hora passar. Dardot identifica o tema como uma de suas obsessões e preocupações dentro do seu repertório artístico – seja explícito, ou até mesmo em quanto a obra demora para ficar pronta e ser apreendida.

É o caso da ++ , de 2002. Plantas surgem em meio ao texto da crítica de arte e teórica Rosalind Krauss. Cada semente foi colocada sob uma letra e, à medida em que crescem, desorganizam e desconstróem o que estava ali escrito. Por fim, as mudas são retiradas e doadas aos visitantes. Todos processos estão ligados à sensibilidade.

“A arte precisa afetar as pessoas e provocar sensações. Embora meu trabalho tenha um lado conceitual, ele é sensorial. Quero provocar. Cada um tem seu jeito de perceber as coisas, mas a minha preocupação é fazer com que cheguem além”, diz Dardot.

A exposição reúne, pela primeira vez em um mesmo espaço, trabalhos de diferentes fases da artista. Para ela, é um momento para perceber como ao longo dos anos foi construindo a coerência em sua carreira.

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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/

Fotografia: Cores, nomes, por Marilá Dardot.  (Crédito: Divulgação)

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