Teatro para Pina Bausch
Companhia homenageia bailarina contemporânea e celebra o seu legado nas artes
A sensorialidade da bailarina e coreógrafa alemã Pina Bausch é encenada no palco do Espaço Sesc, em Copacabana. A peça é uma homenagem a grande personalidade da dança que desconstruiu padrões no século XX e aos 40 anos da sua antológica companhia. O espetáculo Philippine, Uma Peça Para Pina Bausch, do grupo Hospedaria Companhia de Teatro, estreia nesta sexta-feira, 02/05, e segue temporada durante o mês de maio.
Luzes, vídeos, música e um minucioso trabalho corporal dão forma a narrativa a partir da ausência de Pina, que morreu cinco dias após ser diagnosticada com câncer, em 2009. O diretor João Marcelo Pallottino define a falta da coreográfa como ponto de partida do espetáculo. “Pensamos em partir das perguntas que ela fazia para seus dançarinos, mas depois percebemos que seria interessante começarmos com a morte. Não queríamos algo biográfico e nem remontagem. Nos perguntamos como seria um espetáculo pós morte, um mergulho na vida de quem não está lá.”
Pina dirigiu o Wuppertal Tanztheater na Alemanha de 1973 até a sua morte, em 2009. Lá, desenvolveu um trabalho que desconstruiu gestos cotidianos e naturais para transformá-los em coreografias. A prática de observação acontecia em viagens que eram verdadeiras imersões culturais. Em 2001, a experiência da visita ao Brasil resultou no espetáculo Água. Japão, Portugal e tantos outros também estiveram sobre a ótica curiosa de Pina.
Os conceitos da alemã são encontrados em cenas como a de um personagem que dança de forma desesperada e de um desabafo interditado com uma faixa “desculpe o transtorno.” O diretor explica as escolhas. “Trabalhamos com objetos e tudo é sugestivo. Não podemos ficar com apego no teatro dramático enquanto vivemos em um mundo visual. A peça está no campo sensorial. É uma celebração ao trabalho de Pina.”
Do encontro entre Pallottino e Symone Strobel, a Hospedaria surgiu para investigar e refletir sobre a criação teatral. Suas montagens anteriores, como Silêncio e A Religiosa, já buscam um caminho e uma estética própria.
Para o público, fica reservado um mundo de sensações, é o que explica Pallottino. “O filtro não é o entendimento racional. Esperamos que cada vez mais seja possível absorver essa ideia de linguagem sem pudor. Porporcionamos uma montanha-russa e empurramos a plateia a fechar a ideia da peça.”
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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: http://revide.blogspot.com.br/