Tintas que invadem
Casa Daros exibe Paintant Stories, com obra de cerca de 100 metros de Fabian Marcaccio
A pintura do argentino Fabian Marcaccio não cabe em uma moldura, nem em uma única parede, nem mesmo em um cômodo só: sem fronteiras, avança por vários espaços contando histórias que não têm fim, suas Paintant Stories. A obra, que nunca foi exibida na América Latina, é a atração da exposição homônima aberta esta semana na Casa Daros, com curadoria de Hans-Michael Herzog.
Com cerca de 100 metros de extensão por quatro de altura, a obra percorre sinuosamente os espaços expositivos do primeiro andar da Casa Daros, então atravessa a parede externa e cruza o pátio interno da instituição. Pode ser vista tanto de dentro do prédio quanto do pátio. “Este é meu momento preferido, esta parte em que a peça salta para o pátio, porque você poderá vê-la através das janelas, e ao mesmo tempo ver as pessoas no pátio olhando para a obra“, diz o artista.
Criada em 2000, Paintant Stories é parte da pesquisa que Marcaccio chama de “environmental painting”, sobre pinturas que ocupam uma presença no espaço, como uma instalação pictórica. O artista mistura pintura digital – criada pelo artista no computador, a partir da coleta de imagens na internet e da digitalização de fotografias e objetos – com pintura feita com vários materiais, como polímeros, resinas e silicones, e diversos tipos de tinta. “Poderia dizer que é como se tricotasse um suéter, ponto por ponto, tricotando a imagem, os materiais, no computador”, compara Marcaccio.
A obra do artista avança pelos limites dos espaços de exposição e da própria pintura, pois Marcaccio também esculpe parte da tela: “Com os polímeros eu tenho um processo escultórico, pois faço um molde com diferentes cópias. Então o resultado está entre a pintura e a escultura”, diz. “Para mim, pintura é interessante porque pode combinar muitas coisas”, diz Marcaccio.
Nascido em 1963 em Rosario, Argentina, e radicado desde os 22 anos em Nova York, Marcacio busca “expandir as possibilidades próprias da pintura”. “As pessoas falam de formalismo, pintura conceitual, mas eu estou mais interessado no que gosto de chamar de complexidade da pintura. Nós estamos acostumados ao minimalismo, agora temos o macromalismo. A pintura tem que, neste século 21, realmente engajar o espectador, mais do que a pintura feita no passado”.
As histórias pintantes de Marcaccio são criadas pelos próprios espectadores. O curador Hans-Michael Herzog destaca as múltiplas leituras possíveis: “Quando a vi na primeira vez, comecei a apreendê-la a uma distância, digamos, de três metros. Depois, eu a segui inteira, mas não pude ver tudo ao mesmo tempo e, terminado o percurso, encontrei-me de novo no ponto inicial. Eu me aproximo e leio outras partes. E pela terceira vez a olho de uma distância de dez metros e vejo uma obra totalmente diferente”, comenta. “As pessoas podem construir sua própria narrativa”, afirma Marcaccio.
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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: A obra do artista avança pelo pátio da Casa Daros. (Crédito: Divulgação/ Mario Grisolli)