De artista e de louco
Projeto ‘És uma maluca’ reúne artistas plásticos em novo espaço de experimentações artísticas em Vila Isabel, Zona Norte do Rio
O jovem pintor Paulo Victor sempre ouve sua avó, de 97 anos, contar uma história de sua juventude: quando seu pai teve tuberculose e não pôde mais trabalhar para sustentar a casa, ela, com apenas 14 anos, candidatou-se a uma vaga na fábrica onde sua mãe trabalhava, sem contar a ninguém. Quando sua mãe a viu, já de uniforme, entrando na sala de tear, gritou: “És uma maluca!”. A coragem da matriarca acabou inspirando o nome do projeto que Paulo e quatro amigos artistas criaram em Vila Isabel: um ateliê que pretende reunir diversas manifestações artísticas de forma democrática e acessível, fora dos circuitos convencionais.
Formado em Desenho Industrial e aluno de Fine Arts na University of the Arts London – ele se divide entre o Rio e a capital inglesa –, Paulo explica que a És uma maluca! segue uma proposta independente e busca estimular o diálogo sobre arte com novos artistas e outros interessados. “O projeto surge como um núcleo criativo em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, aberto para experimentações artísticas. É um espaço para criação, disseminação e discussão, onde os interessados em arte estão convidados a apresentar suas ideias e trabalhos”, diz.
A ideia é também orientar jovens artistas que queiram seguir carreira nas artes e se inserir nesse mercado. “Queremos reunir pintores da Zona Norte. Os jovens estão perdidos no mercado: ou vão vender em feirinha ou vão morrer de fome, então trazemos o jovem pra discussão da arte contemporânea. Não tivemos essa oportunidade quando começamos a estudar, então queremos passar isso para outros que estão começando”, diz Paulo, que iniciou o projeto em outubro de 2013 com Felipe Veríssimo, Daniel Souza, Leandro Mattos e Rodrigo Roussoulières, e hoje já conta com novos colaboradores.
“Hoje somos sete pessoas envolvidas diretamente no projeto. Todos já eram amigos e o interesse pela arte nos uniu ainda mais. Nenhum de nós teve a oportunidade de trabalhar com arte desde o início de nossas carreiras, todos os membros têm formações em áreas distintas e no momento todos decidiram viver o sonho de trabalhar com o que realmente amamos, a arte”, diz Paulo, que também pretende alterar a rota da arte na cidade com o novo espaço: “Gostaríamos de romper a barreira da Zona Sul, onde se concentram a maioria das galerias e cursos”.
Aos poucos, o espaço passa a receber o público. O primeiro evento aconteceu em fevereiro, com exposições de pinturas e fotografias, sebos de livros de arte, exibição de filmes e shows. Funcionou tão bem que o próximo já tem data: “Queremos reunir, produzir, discutir e disseminar o assunto “arte”. Vamos ter no dia 13 de março um pequeno evento para a apresentação formal do projeto, falar sobre nossos planos como espaço para os artistas e para o público”. A entrada é gratuita.
O objetivo dos rapazes é que novos artistas utilizem o ateliê e que o espaço funcione regularmente como uma galeria. “A partir de 13 de março, abriremos todas as quintas-feiras para visitação. Serão expostos os trabalhos produzidos e apresentados no último evento. Também usaremos esses dias para criar grupos de discussão sobre diferentes temas relacionados à arte, realizar exibições de filmes e etc. Será uma oportunidade coletiva de criação, disseminação e discussão”.
———-
Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: O ateliê vai funcionar também como galeria a partir desse mês (Crédito: Divulgação)