Paredes renovadas no Centro do Rio
Centro Cultural dos Correios abriu três exposições ao público nessa quinta, dia 30
Quem passa com pressa pelas ruas do centro do Rio não nota os personagens e detalhes que habitam suas fachadas: na Biblioteca Nacional, por exemplo, a República, representada por uma jovem, está acompanhada da Imprensa, da Paleografia, da Cartografia e outros campos do saber. No Clube Democráticos, na Rua do Riachuelo, Colombina e Pierrô observam o movimento. Os ornamentos das fachadas arquitetônicas da região chamaram a atenção de Luiz Antônio Teixeira Leite, que abre nessa quinta a exposição O Rio que o Rio não vê no Centro Cultural do Correios.
A exposição reúne 36 fotos e, em cada legenda, haverá uma pequena fotografia da fachada inteira, para que o visitante conheça o prédio de que o ornamento faz parte e possa visita-lo depois com outro olhar. Fotógrafo, designer gráfico e historiador, Luiz Eugênio começou sua pesquisa iconográfica em 2000 e já tem 974 ornamentos mapeados e catalogados, com informações como sua descrição, endereço, uso original, nome do projetista, data e técnica utilizada.
“Milhões de cariocas desperdiçam diariamente a espetacular aula a céu aberto de história da arte e da sociedade brasileiras que representa o Centro do Rio. Como localidade história inicial de fundação da cidade, o Centro está repleto de construções civis e religiosas nascidas ao longo desses quase 500 anos de civilização carioca. E como núcleo principal de uma cidade que foi sede da Colônia, do Império e da República por quase 200 anos, ali se encontram instaladas as sedes das mais diversas instituições públicas e privadas, como igrejas, museus, teatros, bibliotecas, bancos, seguradoras, companhias de navegação, entre outras”, diz o artista.
Segundo Luiz, a decoração aplicada à arquitetura já teve papel de destaque, mas entrou em declínio e deixou de ser usada: “A partir de determinado momento a ornamentação das fachadas dos edifícios entrou em declínio, chegando a ser tratada com repulsa. Disso resultou um quase total abandono pelo estudo das artes da ornamentação. O Ecletismo, estilo que mais se valeu da ornamentação para fundamentar seu discurso arquitetônico, acabou por herdar, por tabela, essa repulsa, e tem ficado, desde há muito, esquecido pela historiografia da arte nacional”, explica.
Rochas e rosas também no CCC
Além das fachadas captadas pelo olhar atento de Luiz Antônio Leite, o Centro Cultural dos Correios abre ao público também no dia 30 mostras dos artistas plásticos Lucio Salvatore e Marcela Carvalho. O italiano apresenta 11 obras e uma série de 13 fotografias em Projeto de Redução Espacial, obra criada dentro de uma mina de pedras dolomíticas, cuja areia extraída é usada na construção civil.
“A questão central desse projeto é a meditação sobre a impossibilidade da mensurabilidade. Especificamente sobre a impossibilidade de medir exatamente a relação entre o consumo de recursos e a criação de energia, consequentemente sobre a relatividade do conceito de sustentabilidade”, resume Salvatore.
Já Marcela Carvalho, mineira radicada em Nova Iorque, apresenta 16 pinturas na exposição Costurando as rosas. Suas obras retratam mulheres de diferentes origens e culturas que, “em nome do amor”, optaram pela liberdade e felicidade pessoal e de seus filhos longe do controle e opressão de seus parceiros.
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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: O detalhe da fachada da Agência Central dos Correios está na exposição ‘O Rio que o Rio não vê’, no CCC. (Crédito: Luiz Antônio Teixeira Leite)