A nova MPB, do funk ao forró

A gravadora Pirão Discos, representante da ‘Música Popular da Baixada’, renova o cenário da música independente no estado

Temos. Esse é o lema e grito da guerra da vez da galera potente e unida que mobiliza a cultura da Baixada Fluminense, regada a muita música e representada pela Pirão Discos, gravadora independente criada por quatro amigos há cinco meses em Nova Iguaçu. A ideia é dar vazão à variada e intensa produção musical da Baixada, onde há muitos músicos mas poucos discos gravados.

“Queremos fazer discos. Hoje tem o problema do músico sem CD”, diz Marcelo Peregrino, que fundou a Pirão Discos com Léo Peixe, Iuri Andrade e Maurício Galo. Até agora, a gravadora tem quatro CDs lançados: o primeiro, 1,2,3,4,5: ao vivo no Valverde, é uma espécie de manifesto do grupo com músicas dos fundadores. Há também dois trabalhos solo de Maurício Galo e um da banda Gente Estranha no Jardim.

Apesar de recente, a iniciativa tem feito bastante barulho e ultrapassado as fronteiras da Baixada. Nas redes sociais, jornais e revistas fala-se da “nova MPB”: Música Popular da Baixada. É como explica Átila Bezerra, de São João de Meriti, vocalista da banda que inaugurou o selo: “Pegamos elementos do samba, baião, funk e misturamos com o rock. Quando nos perguntam se fazemos MPB, respondo: sim, Música Popular da Baixada”.

“A Música Popular da Baixada é um modo de dizer que na Baixada e nas periferias em geral existe uma cena tão incrível quanto as grandes cenas. Falo por mim quando digo que canto minha verdade, e a verdade de onde eu vim. Sou fruto de um subúrbio multicultural e em ascensão, me sinto um dos muitos do trem cheio”, diz Maurício Galo.

O resultado desse trabalho vem sendo positivo para todos: “Tocamos bastante, o público gosta do que ouve e vê, é um encontro. E de um encontro de coisas boas só deve resultar coisas boas, não acha?”, diz Galo, que além de integrar a Pirão Discos, toca clarinete, teclado e violão com a Gente Estranha no Jardim.

A Pirão é feita de encontros até no nome: no caso da gravadora, Pirão é o que acompanha. “Traduz um sentido de “companhia” no amplo sentido da palavra; sendo assim, quem é nossa trupe e com quem produzimos ideias e canções nessa pequena empresa cheia de afeto e verdade”, diz o grupo em sua apresentação.

O lema da turma não surgiu à toa: eles, de fato, têm. Têm o Bar do Bigode – que vai da bossa ao choro (“O forte aqui é o som, e não a gastronomia, mas faço a coisa bem feita e não deixo ninguém sair com fome”, avisa Jorge Alves, o Bigode) –; o Centro Cultural Donana, berço do reggae nacional; o rock antissexista do Festival Roque Pense, o clima underground da Floresta do Sono, o hip hop dos Enraizados, oPangua Jazz, a Roda do Choro dos Pavões, o Maracatu do Baque da Mata, dezenas de artistas e muito mais. Tudo isso forma esse movimento que é a Música Popular da Baixada, que divide a cena com o cinema e a poesia – os grandes cineclubes da região, como o Buraco do Getúlio e Mate com Angu, também são espaços de encontro importantes da nova MPB. “Temos”, enfatiza Galo. Não há como questionar.

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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/

Fotografia: Gente Estranha no Jardim: a banda lançou seu primeiro disco pela Pirão Discos.  (Crédito: Firmino Calixto)

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