Lá vem o trem da alegria
Semana tem várias festas em homenagem ao samba. Trem sai no sábado
Já dizia a canção: “quem não gosta de samba, bom sujeito não é”. É entoando esses versos que Tia Surica, baluarte da Portela, celebra o Dia Internacional do Samba, comemorado nesta segunda-feira, 2/12. “Para mim, o samba é tudo, é fundamental. Eu, pelo menos, sem samba não sei viver”, admite Tia Surica. O ícone da velha-guarda é um dos muitos apaixonados que levará sua alegria para Oswaldo Cruz, na série de shows que antecedem o tradicional Trem do Samba, evento anual que chega à 18ª edição. Os trens e suas rodas de samba partem da Central do Brasil no dia 7/12, sábado.
“O Trem do Samba nasceu com o objetivo de promover a interação entre os grandes nomes do samba e o público, além de levar conhecimento por meio do resgate dessa cultura. O que nós estamos fazendo é uma recriação das rodas de samba tradicionais”, diz Marquinhos de Oswaldo Cruz, idealizador do projeto. Entre os dias 2 e 6/12, grandes nomes do ritmo cultuado pelos brasileiros se apresentam em seis palcos montados em Oswaldo Cruz, incluindo Paulinho da Viola, Dona Ivone Lara, Leci Brandão, Arlindo Cruz, Jorge Aragão, Martin’alia e Almir Guineto. Já no sábado, 7/12, a viagem mais animada do ano começa, com a saída de quatro trens e 32 carros da SuperVia em direção ao bairro da Zona Norte.
“Como em todas as ações, no trem a participação do público é muito importante. Incentivamos todos a levarem os seus cavaquinhos, banjos, pandeiros, cuícas e tamborins para fazermos uma grande festa do samba”, conta Marquinhos. No meio do público, as velhas guardas da Portela, Império Serrano, Salgueiro, Mangueira e Vila Isabel, e mestres como Nelson Sargento, Noca da Portela, Mestre Faísca e Ernesto Pires garantem o bom tempo até o final do trajeto. “Tudo o que eu peço é que o pessoal venha, para brincar e curtir na tranquilidade, nesse encontro de irmãos que é uma festa sempre muito alegre”, diz Tia Surica.
O Trem do Samba, criado em 1996, é uma grande homenagem à memória do ritmo. Paulo da Portela, veterano falecido em 1949, costumava animar o trajeto entre a Central do Brasil e Oswaldo Cruz, sede da Portela, com suas rodas informais. Era uma maneira de driblar a opressão ao samba, por anos visto como atividade de vagabundos. “É uma tradição que mantemos desde a época do saudoso Paulo, e que hoje o Marquinhos abraçou e dá continuidade. E que vai seguir por muito tempo, quem não gosta de um samba com uma cervejinha gelada, uma comidinha tradicional como feijoada, mocotó ou uma peixada, dessa alegria que mexe com todos?” pergunta Surica.
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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: Palcos são montados por toda a Oswaldo Cruz (crédito: Divulgação)