O Brasil em desenhos

1ª Bienal Internacional da Caricatura mostra o país traduzido em traços de seus maiores caricaturistas

Para escrever o livro História da Caricatura Brasileira – Os Precursores e a Consolidação da Caricatura no Brasil, Lucio Muruci se transformou em Luciano Magno. A adoção de um pseudônimo não foi escolha gratuita: era mais uma forma de homenagear os grandes mestre que fizeram e fazem a caricatura no país, artistas que raramente assinam com seus nomes de batismo. Com a 1ª Bienal Internacional da Caricatura, estes pseudônimos inventados ganharão os holofotes. Organizada justamente por Luciano Magno, a Bienal começa nesta quarta-feira, 27/11, e segue até 30 de março de 2014, totalizando 30 mostras históricas e contemporâneas em vários Estados. No Rio de Janeiro, o Centro Cultural Justiça Federal, a Livraria Leonardo da Vinci, o Museu da República, o Centro Cultural Solar de Botafogo, o Museu Nacional de Belas Artes, entre outros espaços, fazem parte do circuito.

Na programação carioca, o Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) recebe cinco individuais que chamam atenção por colocarem lado a lado artistas clássicos e contemporâneos, evidenciando também os novos rumos da charge no país. Essa viagem começa com a exposição Manoel de Araújo Porto-Alegre: O Primeiro Cartunista Brasileiro, dedicado ao artista gaúcho, pioneiro desta forma de expressão. Com seus desenhos em preto e branco, Porto-Alegre já mostrava que a charge se pretendia ser muito mais do que meras distrações nas páginas dos periódicos dos anos 1800. “Nas primeiras produções, o corcunda era uma figura recorrente. Durante o processo de consolidação da independência do país, a deformação era uma forma de satirizar os corcundas, figura que aparece nos periódicos O Maribondo (1822), O Corcundão (1831) e O Carapuceiro (1832), que criticavam aqueles que se curvavam ao absolutismo. Nesse primeiro momento, a caricatura era bastante crítica, ferina, bem-humorada e muito politizada”, diz Luciano Magno.

Também está bem representada no evento a produção atual de caricaturas com mostras do mineiro Cau Gomez, do capixaba Alpino, do carioca Glen Batoca e do baiano Zé Andrade. Cada um deles, a sua maneira, mostra uma cara da versátil linguagem das caricaturas: se Cau Gomez é um dos mais premiados artistas do gênero, trabalhando desde os anos 70 e atualmente responsável pelas charges do jornal baiano A Tarde, foi na internet que Alpino ganhou reconhecimento com seus satíricos cartuns diários. Glen Batoca, por sua vez, transita entre os dois mundos, apresentando tanto trabalhos tradicionais quanto desenhos complexos criados a partir de arte digital. Nesse meio, personalidades conhecidas como Janis Joplin, Salvador Dali, Noel Rosa e Marilyn Monroe são reproduzidas em seu afinado traço. Já Zé Andrade leva as charges para uma nova dimensão, com esculturas em barro e máscaras que representam artistas e nomes nacionais e internacionais da cultura pop e tradicional.

A exposição no CCJF apresenta ainda trabalhos enviados para a Mostra de Humor da 1ª Bienal Internacional da Caricatura, uma exposição competitiva que premiará os artistas com o Troféu Seth, em homenagem ao macaense Álvaro Marins, um dos maiores nomes da caricatura brasileira e pioneiro da animação no país. Na programação, destaque ainda para os debates no Museu da República, nos dias 30/11, 1, 7 e 8/12, que contarão com a presença de caricaturistas, escultores, pesquisadores e o curador da Bienal.

A Bienal se estende ainda por São Paulo, Pará, Piauí, Alagoas, Ceará, Paraíba e Pernambuco. Confira a programação completa no site oficial, e as atrações no Rio em Programação Cultural.

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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/

Fotografia: Picasso em traço experimental de Glen Batoca (crédito: Divulgação)

 

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