Ruídos da cidade
Floriano Romano abre exposição ‘Sonar’ na Casa de Cultura Laura Alvim
Gavetas que, quando abertas, emitem sons vindos das mais diferentes cidades do mundo. Um buraco na parede de onde sai o burburinho de um cruzamento carioca. Essas e outras brincadeiras sonoras fazem parte da exposição Sonar, que Floriano Romano abre na Casa de Cultura Laura Alvim nesta quarta-feira, 4/12.
Um entusiasta da interação entre o som e as artes visuais, Floriano apresenta oito instalações sonoras e 14 desenhos. “Sonar é toda baseada em ruído”, diz o artista. Se o foco em algo tido como necessariamente incômodo pode causar estranheza, a curadora Glória Ferreira lembra que suas definições variam . “A palavra ruído, no senso comum, significa barulho, som ou poluição sonora não desejada. Adquire, porém, outros significados em diversas áreas”, diz. “O ruído é a expressão do mundo, é indeterminado, então ele toca direto nos sentidos, fala direto com os sentidos”, complementa Romano, que acredita que seu trabalho também pode ser interpretado por um viés político, ao reproduzir o caos de nosso dia-a-dia.
“Utilizando-se de mais de 200 alto-falantes em diferentes objetos cotidianos, como cômoda com gavetas, caixas, máquinas de escrever e outros, os ruídos vão se alternando, em sua desordem”, continua Glória Ferreira. A organização da exposição foi pensada de maneira que os muitos estímulos sonoros não se sobreponham, soando em períodos e alturas diferentes.
Em um deles, Turbina, a relação com a imagem também é posta em foco, através da reprodução do som do mar. Instalada na sala que dá para a Praia de Ipanema, o barulho das ondas emitido por tubos de PVC se funde com a paisagem litorânea. Já em Radionovelas, a imaginação do ouvinte é soberana, ao acompanhar pequenas histórias ficcionais transmitidas por rádios antigos. No pátio, o público assume o controle do que quer ouvir, em instalações cuja altura é controlada pelo girar de torneiras. “Como não poderiam faltar, alguns dos seus ótimosChuveiros sonoros, com cantores anônimos no banho, estão em espaços externos às galerias”, conta a curadora. Três duchas “banham” o público com as cantorias.
Completando a mostra, estarão expostos também desenhos abstratos, nos quais Romano brinca com conceitos de profundidade ao utilizar fita isolante para criar efeitos bi e tridimensionais.
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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: Artista também expõe desenhos (crédito: Divulgação)