Tendências musicais
Festival Novas Frequências chega à terceira edição mostrando os mais inventivos artistas do cenário contemporâneo de música de vanguarda
O público carioca terá nove dias para fazer uma viagem ao futuro. O condutor nessa jornada? A música. A terceira edição do Festival Novas Frequências começa neste sábado, 30/11, prometendo apresentar tudo que há de mais instigante e inovador na música de vanguarda nacional e mundial. Do festival, que acontece no Oi Futuro Ipanema até 8/12, participam 14 artistas, totalizando treze apresentações.
Seguindo as duas edições anteriores, o Novas Frequências volta a reunir representantes que têm em comum o gosto pela exploração de limites na música, sempre flertando com outras manifestações artísticas: não por acaso, a maioria deles costuma se apresentar também em museus e galerias. “No meio dessa confusão do mundo digital, com tanta gente fazendo coisa nova, produzindo som e imagem, é fácil você se perder. O Novas Frequências acaba mostrando um pouco a elite desse movimento, e este ano se você prestar atenção vai ver que é a nata mesmo da vanguarda, cada um da programação ataca numa linha única e diferente”, diz o músico Sérgio Mekler, um dos integrantes do coletivoChelpa Ferro.
O grupo, formado ainda por Barrão e Luiz Zerbini, nasceu em 1995 e é conhecido pela adição de performance, artes-plásticas e vídeos à experiência musical. No dia 4/12, essa inventividade carioca encontrará com David Toop, inglês celebrado como um dos maiores intelectuais da música contemporânea. “O David queria tocar com alguém aqui do Brasil e a curadoria achou que iria combinar com o Chelpa. Trocamos alguns emails com ele, e decidimos levar só instrumentos que nós mesmos fabricamos, para fugir de sons mais tradicionais”, conta Sérgio. O Chelpa Ferro não ensaiou com Toop, artista múltiplo que tem na sua carreira experiências com instalações, gravações de campo, improvisações ao vivo, produção fonográfica e de trilhas sonoras para teatro, ópera e dança. “Mandamos para ele fotos dos instrumentos experimentais e ele gostou – ele mesmo já escreveu um livro sobre instrumentos inventados. Mas como a parceria vai ficar a gente vai ver na hora”.
Esse espírito livre é compartilhado ainda com outras atrações do Festival, como o americano Stephen O’Malley, que se apresenta no dia 7/12. O guitarrista vem ganhando reconhecimento por tornar o heavy metal experiência completamente nova, graças a suas distorções da frequência de guitarras e do som de baixos, entre outras modificações que transferem os ouvintes para novos ambientes através da música. Explorando outros caminhos, os ingleses do duo Demdike Staremostrarão em 3/12 suas trilhas sonoras imaginativas, inspiradas pelo macabro episódio da caça às bruxas em Lancashire, no norte da Inglaterra. Entre as atrações brasileiras, destaque para a dupla Rob Mazurek e Mauricio Takara, que formam o São Paulo Underground. Na apresentação em 6/12, os jovens mostram que misturar jazz, improvisação eletrônica e ritmos regionais brasileiros pode dar muito certo.
Experimentações em todos os lugares
A programação desse ano tem como novidade os seminários Talking Sounds, que apresentarão quatro painéis de discussão no Polo de Pensamento Contemporâneo (POP), no Jardim Botânico. Jornalistas, antropólogos, críticos e artistas debaterão temas como a falência da indústria musical e seus impactos na produção, as ambições estéticas do artista contemporâneo, a nova relação entre usuário e música no mundo digital, entre outras questões.
Além dos encontros no POP, o festival organiza uma festa no clube La Paz, marcada para o dia de abertura, em 30/11. “Dentro do universo da música experimental, da eletrônica de vanguarda e das novas tendências, os festivais que mais interessam a minha pesquisa são os que possuem múltiplas locações”, diz Chico Dub, curador e criador do Novas Frequências ao lado de Thatiana Lopes. “Acredito muito em ações site specific, no sentido do ‘evento certo no lugar certo’. Quanto mais locais em um festival, mais janelas exploratórias se abrem; mais possibilidades artísticas surgem. Isso diz respeito sobre a importância de um festival como o Novas Frequências também ter, além de shows, uma pista de dança e um espaço para a troca de pensamento”.
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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: O inglês Heatsick cria novas frequências usando nada mais do que um velho sintetizador (crédito: Divulgação)