Rio, cidade símbolo de paixão

Atores Cláudia Abreu e Michel Melamed e o diretor Vicente Amorim, entre outros envolvidos com o longa Rio Eu Te Amo, falam sobre como levar o clima da cidade para o cinema

Nascido e criado no Rio de Janeiro, o roteirista Fellipe Barbosa, 33 anos, sabe muito bem que a relação com a sua cidade não é feita só de amor. Para o jovem, que acredita que todo relacionamento acaba tendo elementos que escapam do domínio do afeto, o Rio é um tipo conquistador: por mais irritado que estejamos, a todo momento a cidade nos lembra o porquê de voltarmos sempre a nos apaixonar por ela. E é esse o sentimento que o roteirista tentou incluir nas passagens de transição do longa-metragem Rio Eu Te Amo, cuja filmagem do último dia 30/10, quarta-feira, foi acompanhada pelo cultura.rj. A sequência, gravada na Lapa, mostrava um casal, vivido por Michel Melamed e Cláudia Abreu, cujos olhares se cruzam, numa noite boêmia embalada pelo batuque da Acadêmicos da Rocinha e pelo gingado dos meninos do passinho. A direção é de Vicente Amorim.

O projeto Rio Eu Te Amo, parte da série Cities of Love, convocou 10 diretores para criarem histórias curtas: Carlos Saldanha (Rio),  Im Sang-Soo (A Empregada), Stephan Elliott (Priscila, Rainha do Deserto), Paolo Sorrentino (Le conseguenze dell’amore), Guilhermo Arriaga (The Burning Plain), Fernando Meirelles (Cidade de Deus), José Padilha (Tropa de Elite), Andrucha Waddington (Casa de Areia), Nadine Labaki (Where do We Go Now?) e mais um diretor internacional ainda a ser divulgado. As filmagens, iniciadas em agosto, seguem até dezembro e o longa deve ser lançado em 2014.

As sequências de transição servem para unir estas variadas narrativas, e estão sendo pensadas num processo coletivo de adaptação a cada novo curta produzido. “Eu e Vicente começamos a trabalhar bem no começo, quando só tinha um roteiro. Então, desde este momento, criamos um conceito para as transições: a ideia é explorar esse lado do Rio onde existe uma constante paquera, uma repetida conquista”, explica Fellipe Barbosa. “Eu vejo que o Rio tem muito disso, troca de olhares, pessoas sempre se sacando…Bons e maus entendidos acabam vindo desses olhares. Este foi o conceito que criamos para amarrar várias situações. Vamos adaptando a partir dos roteiros que vamos recebendo”.

Para Michel Melamed, “poderíamos dizer que esse processo é como a própria cidade do Rio, cheia de surpresas, das mais felizes às mais estranhas”, compara o ator, protagonista dessas sequências com Cláudia Abreu. As transições, filmadas com uma série de intervalos e podendo mudar de rumo dependendo dos novos curtas, acabam absorvendo uma característica que, para o ator carioca, é muito presente na cidade. “Essa experiência está circunscrita às partes alegres de se estar nas ruas do Rio e se surpreender com isso, de entrar no bar e ver uma roda de samba, ou encontrar um amigo que você não falava há muito tempo e parar para tomar uma cerveja, e aí descobrir que no bar tem um professor da escola… É a mesma relação que temos com as filmagens”.

Essas “surpresas” serve para unificar uma trama de histórias aparentemente paralelas, mas unidas por outro sentimento abundante no Rio, como explica Vicente Amorim. “É um filme feito em colaboração com muitos diretores e vários episódios, mas todos esses episódios e personagens estão ligados por uma teia, que é a dos afetos”, conta. “Esses afetos vão ligando os personagens ao Rio e entre si, às vezes de maneira mais prosaica, às vezes de maneira mais intensa. E quando digo afeto, é de todo tipo: entre pai e filho, irmão e irmã, o sexual e sensual que pode se tornar romântico, todos eles de um jeito ou de outro mostram que as histórias estão ligadas”.

Para ajudar na costura dessa “colcha de retalhos”, a atriz Cláudia Abreu colabora com uma dose de entusiasmo. “Eu estou adorando. Sou carioquíssima e fico super feliz de estar num projeto bacana com muitas pessoas queridas, nesta homenagem ao Rio”, diz. Para se empolgar com as filmagens, porém, ter nascido na cidade não é obrigatório: o diretor e roteirista francês Emmanuel Benbihy, criador da franquia Cities of Love – que ainda inclui os filmes Paris Eu Te Amo (2006) e Nova York Eu Te Amo (2009) – se diz mais um dos conquistados pelo Rio. “Eu vivo bem distante daqui, do outro lado do planeta. Moro na China, e para mim o Rio é completamente diferente. A China é maravilhosa também, mas as relações não são as mesmas. Aqui tudo é revigorante, e gosto do fato de que as pessoas se comunicam facilmente. E o que o filme vai mostrar é sobretudo um Rio além dos clichês, um outro Rio, através das perspectivas de diretores diferentes e talentosos”.

Na visão de Michel Melamed, esta distância de estereótipos, mais do que um ode ao Rio de hoje, acaba sendo uma fonte de esperança. “Espero que essa homenagem seja ao que o Rio tem de bom, mas principalmente ao que ele tem de potência para se tornar ainda melhor. Para que, depois de Cidade Maravilhosa, ele vire a cidade ‘melhor ainda’. O filme é uma homenagem ao futuro do Rio”.

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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/

Fotografia: Amorim dirige Michel Melamed em sequência na Lapa: transições são adaptadas de acordo com o andar dos curtas  (Crédito: Divulgação)

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