Distorção poética

Escultora carioca Frida Baranek ganha individual no Museu de Arte Moderna, depois de 20 anos fora do Brasil

Materiais duros como aço, ferro e outros metais modelados de maneira a parecerem objetos de uma leveza quase orgânica. Foi trabalhando em extremos que Frida Baranek, nascida em 1961 no Rio, construiu seu nome, tendo hoje obras em grandes acervos nacionais e internacionais. Há mais de 20 anos morando fora do país, a artista que atualmente reside em Londres retorna em Frida Baranek – Confrontos, que o Museu de Arte Moderna recebe a partir de quarta-feira, 30/10.

Com 15 obras criadas de 1985 até 2013, a exposição é uma chance não só para o público reencontrar o trabalho de Baranek – uma das artistas da chamada Geração 80 -, mas também de a própria avaliar toda sua evolução. “Provavelmente eu também vou perceber coisas que não vi antes”, diz. A francesa Catherine Bompuis, curadora da mostra, complementa: “as obras escolhidas para esta exposição obedecem a uma vontade de tornar visíveis momentos de um percurso iniciado em 1985. Desde suas primeiras esculturas se elabora a relação que a artista vai entreter ao longo desses anos com os materiais, relação que desafia sua resistência para conduzir uma metamorfose: construir com e contra”.

Essas oposições aparecem em um dos grandes destaques da seleção, a obra Unclassified. Exibida pela primeira vez no Museu de Arte Moderna de Nova York, em 1993, trata-se de uma escultura de mais de quatro metros de altura, feita a partir de sucatas e pedaços de aviões descartados pela indústria militar americana. “A escultura de Frida Baranek desafia a lei da gravidade, mostra placas de aço dobradas como simples folhas de papel amassadas, constrói com ferro, aço e mármore uma forma orgânica e intimista numa experiência do fazer cada vez renovada”, diz a curadora.

Construída de maneira a parecer uma entrada de uma caverna natural,Grand Titre, de 1995, também brinca com oposições. A caverna na verdade é feita de uma infinidade de molas, que circundam bolas de encher de látex e esferas de vidro, numa obra que permanece em constante mutação. “Há um arame dentro das bolas de látex. No início da exposição, elas estarão mais cheias e, ao longo do tempo, irão esvaziando”, conta Frida.

Já a obra inédita Armadilha, uma das que foram criadas especialmente para a exposição, tem na relação entre arte e público sua grande inspiração. “Ela é composta por um único fio condutor, que constrói toda a estrutura da obra. É uma alusão a armadilhas figurativas, e uma metáfora da própria obra de arte”, explica. A escultura arredondada, criada com ferro e arame, tentar conter o tempo dentro de seus limites. “Ao olhar para uma obra de arte que funciona, ela te captura. O espaço de uma exposição é um espaço de captura do pensamento, que mantém suas vítimas – os visitantes – em suspensão. Nesta peça, o espectador transfere seu corpo para dentro dela”, diz Baranek.

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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/

Fotografia: Arames são presença frequente nos trabalhos de Frida (crédito: Divulgação)

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