Regra de três
Em seu novo espetáculo Fluxorama, Jô Bilac mistura papeis de atuação e direção em uma narrativa pouco convencional
Três cenas que parecem desconexas, mas que acabam se unindo numa narrativa uniforme. Essa é a experiência proposta por Fluxorama, espetáculo de Jô Bilac que estreia nesta quinta-feira, 31/10, no Oi Futuro Flamengo.
Fluxorama se estrutura de maneira inusitada. Tudo não passa do reflexo das experimentações pelas quais passam os atores: Vinícius Arneiro, Inez Viana e Rita Clemente que se alternam no papel de intérpretes e diretores uns dos outros nos três segmentos do espetáculo, que foram sendo pensados por Jô Bilac desde 2009. “Usei esses intervalos para encontrar o formato do projeto. E nesse meio tempo fui estreitando meus laços com as performances, o que me deu a vontade de sugerir uma ação performática ou uma relação não convencional entre ator e diretor”, conta o idealizador, que no final diz ter criado uma “dramaturgia concreta”. “Os textos não têm rubricas ou direções de cena. Dessa maneira, se forma uma arquitetura da palavra no papel, cujo significado se redimensiona de acordo com quem lê. Queria um caminho para sugerir emoção e ritmo através do próprio instinto do ator/diretor”.
A primeira das três histórias tem como protagonista Rita Clemente, sob direção de Inez. “O que me interessou no projeto foi a possibilidade de trocar com diretores que admiro há tanto tempo e a experiência de ser, ao mesmo tempo, dirigida pelo Vinicius e dirigir a Rita”, conta Viana. No segmento sob sua direção, Rita vive Amanda, uma mulher que, depois de descobrir-se repentinamente surda, vai perdendo aos poucos todos os seus sentidos.
Logo depois, entra em cena Vinícius Arneiro, e Rita passa a ser a diretora. Arneiro vive Luiz Guilherme, um homem que tenta se manter vivo, preso entre as ferragens de um carro depois de um acidente, agarrando-se a suas memórias mais preciosas. Por fim, Vinícius assume o papel de direção da sequência em que Inez Viana é uma mulher que, ao entrar na corrida de São Silvestre, mergulha num processo de superação de seus limites.
Como codiretor, está Diogo Liberano, uma espécie de “quarta visão” nessa dança de três protagonistas. “Ele nos acolhe de fora”, resume Rita Clemente. Para Vinícius Arneiro, o jogo cênico proposto por Bilac cria uma valiosa oportunidade de diálogos. “Para nós é uma nova forma de se relacionar com a criação, pois gera uma troca constante e horizontal dos pensamentos”, diz.
“Fazer Fluxorama foi uma experiência para todos nós, quase uma gincana. Minha expectativa é que o público também entre nessa experimentação de acordo com seu próprio entendimento. Mas a reação da plateia ainda é uma incógnita”, diz Jô Bilac.
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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: O trio de atores se multiplica em muitos (Crédito: Ana Alexandrino)