Universo pontilhado
Yayoi Kusama, artista japonesa, ganha mostra panorâmica no CCBB
É no enclausuramento que a japonesa Yayoi Kusama encontra sua liberdade. A artista, uma das mais cultuadas de seu país, se internou voluntariamente numa instituição psiquiátrica de Tóquio há 30 anos, e lá dá asas a seu mundo particular, povoado pelas bolinhas coloridas que se tornaram sua marca. Na grande mostra panorâmica Yayoi Kusama: Obsessão Infinita, que o Centro Cultural Banco do Brasil recebe a partir do dia 12/10, sábado, o público carioca será convidado a se envolver na loucura artística da japonesa através de 110 obras, criadas entre 1949 e 2012.
A exposição que chega ao país passou anteriormente por Buenos Aires, onde criou o que foi chamado na imprensa portenha de uma “kusamamania”: foram 206 mil visitantes até o término da temporada em setembro, um recorde para o Museu de Arte Latino-americana (MALBA) da capital argentina. “Sabia que seria popular, mas não a esse ponto. Por ser uma artista pop, é acessível a todas as idades, e o caráter lúdico faz a exposição ser divertida para todos”, declarou o curador do MALBA Phillip Larratt-Smith, que divide a curadoria da mostra com Frances Morris, do Tate Modern de Londres.
Kusama convive com o transtorno obsessivo compulsivo e alucinações desde a infância. Em suas obras, traz para o mundo real as imagens e personagens vibrantes que encontra em sua mente. “Minha arte é uma expressão da minha vida, sobretudo da minha doença mental, originária das alucinações que eu posso ver. Traduzo as alucinações e imagens obsessivas que me atormentam em esculturas e pinturas. Todos os meus trabalhos em pastel são produtos da neurose obsessiva e, portanto, intrinsecamente ligados à minha doença”, diz a artista.
Entre as obras em exibição em Obsessão Infinita, está Infinity Net, série iniciada nos anos 50 em que Kusama deu os primeiros passos na colocação da repetição obsessiva como marca de seu trabalho, ao reproduzir milhares de vezes arcos pintados. Já em Cheia de Brilho de Vida, é a luz que se reproduz infinitamente numa instalação feita com lâmpadas que apagam e acendem, sempre mudando de cor. Além de poder mergulhar em suas obras mais recentes, que têm forte apelo interativo, o visitante pode recriar o mundo de Yayoi na Sala da Obliteração. Lá, paredes brancas estão à disposição para serem preenchidas com adesivos coloridos em formas de bolinhas, distribuídos na entrada da mostra.
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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: A artista, de 84, em seu mundo de bolinhas (crédito: Divulgação)