Angra dos palcos

Festa Internacional de Teatro de Angra comemora 10 anos com quase 60 peças na programação e homenagem a Camilla Amado

Festa Internacional de Teatro de Angra (FITA), que começa nesta quarta-feira, 2/10, e segue até o dia 20, será espaço para celebração de bodas de zinco e de diamante. Em 2013, dois casamentos serão lembrados no festival: o da cidade litorânea com o Teatro e da atrizCamilla Amado com as artes cênicas. No ano de sua décima edição, a atriz, que completa 60 anos de carreira, é a homenageada de uma festa que contará ainda com 58 espetáculos, sendo sete deles inéditos, apresentados na Praia do Anil e no Teatro Municipal de Angra.

Como se tornou marca nesses 10 anos, a festa foi pensada para atingir o maior número possível de público, sendo dividida nas Mostra de SucessosBrasil e Brasil Cult, e nas Sessões CultFitinha e Prata da Casa. “A FITA tem uma característica bem peculiar de abrir espaço desde as peças mais populares aos espetáculos mais ‘cabeça’. Não temos preconceito com nenhum gênero. Só exigimos qualidade”, diz o curador, João Rabello.

Qualidade é o que não falta no espetáculo de abertura, em 2/10, o elogiado musical Gonzagão – A Lenda. Criado no embalo das celebrações do centenário do nascimento do Rei do Baião, em 2012, a peça conseguiu montar uma narrativa dinâmica, em que as composições do mestre da sanfona dão o tom de cada capítulo de sua vida, sem, no entanto, soar didático. “É a história de Luiz Gonzaga, mas não é a Wikipédia”, resume o diretor e idealizador João Falcão.

Em seguida, em 3/10, é dada a largada das homenagens a Camilla Amado, que, com seis décadas atuando, ainda se encanta com o palco. “São Bodas de diamante no casamento com o teatro. Costumo dizer que é uma prova de resistência e fico feliz por isso. O que seria do homem sem o teatro?”, se pergunta. No segundo dia da FITA, a atriz apresenta o infantil O Jardim Secreto, no qual é dirigida por sua filha, Rafaela Amado, em parceria com Mariah Schwartz. “Tem sido engraçada essa experiência. Minha mãe é superdionisíaca, trabalha a partir do caos. Eu tenho a disciplina do balé clássico, da ordem, sou mais organizada. Mas está dando certo”, garante Rafaela, para quem o espetáculo, sobre duas crianças que redescobrem um jardim mágico há muito tempo esquecido, também pode ser apreciado pelos mais velhos. “É uma metáfora do jardim que cada um tem dentro de si. Muitas vezes temos que plantar, regar, cuidar das flores que fazem parte da nossa vida”, compara. Já Camilla acha que não há diferença entre uma plateia formada por adultos e uma por crianças. “O teatro é como um jardim zoológico. A criança vai ao zoológico para ver o leão na jaula. O teatro é o jardim zoológico onde o público vai ver o ator no palco, com a diferença de que lá o ator está livre. Todo mundo quando está na plateia do teatro vira criança, mas só a criança tem uma espontaneidade que é só dela”, diz.

Ainda na programação do dia 3/10, a atriz homenageada participa doPapo de Artista, falando sobre seus 60 anos de carreira, na Tenda Sesc. O espaço, uma novidade da edição 2013, será um ponto de encontro para debates, entrevistas e intervenções, e funcionará durante todo o festival recebendo nomes da dramaturgia.

Novidades em cena

Seguindo a tradição de edições anteriores, a FITA abre espaço para espetáculos que entrarão em circuito depois de terminado o festival. Este ano, são sete estreias, que vão da comédia de Bemvindo Sequeira no standup Só Muda o Endereço à tensão de uma história sobre violência em Olheiros do Tráfico, de Moisés Bittencourt. A paisagem litorânea de Angra servirá de cenário ao delicado Deixa Clarear, sobre Clara Nunes, cujos 30 anos de morte acontece em 2013. “Essa peça vai ser apresentada na areia da praia, e a Clara tinha toda uma ligação como mar, que sempre aparecia muito na obra dela”, conta a atriz Clara Santhana, que viverá, sozinha em cena, a cantora. A peça, antes de ser uma biografia, procura entender quem foi Clara Nunes. “Fazendo pesquisas para montar o espetáculo, eu vi uma entrevista que a Marília Gabriela perguntou para ela porque ela não falava nos shows, no intervalo das músicas”, continua a atriz. “E ela respondeu que não sentia necessidade, porque as músicas dela falavam por ela. O que a gente está trazendo com o musical é mesmo o universo da Clara Nunes, sendo uma peça menos sobre fatos e mais sobre os sentimentos, a atmosfera que a Clara criava com a sua voz”.

Ainda no terreno da música, Gonzagão mais uma vez é a estrela no espetáculo Luiz e Nazinha, que evidencia a atualidade de sua obra ao voltá-la para o público infantil. “Uma das partes que mais gosto no espetáculo é quando tocam Olha Pro Céu, que a gente primeiro transformou numa valsa super bonita, e depois volta para o forró, para as crianças conhecerem”, conta o idealizador Pedro Henrique Lopes. “E o que a gente percebeu fazendo os arranjos é que tem uma contemporaneidade na obra do Gonzagão que torna muito fácil o acesso às músicas dele, mesmo para quem só conhece o básico”. A peça conta, em tons de fábula, a história do primeiro amor de Gonzaga: a bela Nazarena, filha de um importante coronel, com quem o sanfoneiro viveu um romance proibido na adolescência. “É algo que as crianças estão acostumadas a ouvir, tem personagens muito bem marcados. A mãe de Gonzaga delicada fazendo um contraponto com a firmeza do pai, ou o coronel que representa o vilão, por exemplo”, diz Pedro Henrique.

Prêmio

A 10ª edição da FITA contará ainda com o 3º Prêmio FITA de Teatro. O dramaturgo, ator e escritor Sérgio Fonta, a atriz Ana Rosa, o crítico Lionel Fischer, a dramaturga Fátima Valença e o ator Júlio Adrão compõem o júri dessa edição, que escolherá os vencedores nas categorias Melhor Diretor; Melhor Autor; Melhor Ator; Melhor Atriz; Melhor Ator Coadjuvante; Melhor Atriz Coadjuvante; Melhor Cenário; Melhor Figurino; Revelação; Melhor Espetáculo (júri oficial); Melhor Espetáculo (júri popular) e Melhor Espetáculo Infantil (categoria julgado por um júri mirim).

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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/

Fotografia: Camilla Amado em cena de O Jardim Secreto (crédito: Divulgação)

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