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15ª edição do Festival do Rio chega com foco em documentários e atividades além do eixo Zona Sul-Centro
Mais de 30 salas da cidade unidas por uma paixão: o cinema. O Festival do Rio chega a sua 15ª edição com mais de 350 filmes de 60 países que poderão ser assistidos a partir desta quinta, 26/09, até 10/10. “É um grande presente não só para os cinéfilos, mas para a cidade como um todo, ocupando espaços que vão de um lado ao outro do Rio e atendendo cada vez a públicos mais distintos”, diz Ilda Santiago, que divide a direção executiva do Festival com Walkíria Barbosa. Além de pontos tradicionais como o Armazém da Utopia (na Zona Portuária), São Luiz, Odeon e cinemas do grupo Estação, novos espaços como o Cine Carioca Nova Brasília, no Complexo do Alemão, receberão as exibições e atividades como encontros com realizadores e elenco.
Nesses 15 anos de existência, o Festival do Rio se firmou como um dos mais importantes encontros voltados para o cinema e o audiovisual do Brasil e do mundo. “A cada ano, buscamos ampliar os nossos horizontes e fazer aquilo que é a nossa função: entreter ao mesmo tempo em que ajudamos os segmentos da indústria a crescerem”, afirma Walkíria Barbosa, responsável pela programação da RioMarket, braço de negócios do encontro que acontece no Armazém da Utopia a partir do dia 27/09.
Esse forte estabelecimento do Festival também fica evidente na programação principal, como comenta Ilda. “Esse ano, mais do que em outros, fomos capazes de trazer filmes que acabaram de passar nos grandes festivais mundiais, os destaques de Veneza, Toronto, Cannes e Berlim, numa seleção decorrente de uma extensa pesquisa e também do próprio patamar que o festival se encontra no país e no mundo. Há um interesse muito grande dos produtores de utilizarem o Festival do Rio como plataforma de visibilidade para seus filmes”.
Entre os destaques da programação, estão Blue Jasmine, longa mais recente de Woody Allen; Behind The Candelabra, anunciado como o último filme da carreira de Steven Soderbergh; Terra Prometida, que marca o retorno da parceria do astro Matt Damon com o diretor Gus Van Sant; o angustiante Gravidade, filme de abertura do festival de Veneza dirigido por Alfonso Cuarón, e Sacro Gra, o primeiro documentário a receber o Leão de Ouro de Veneza.
O filme do diretor Gianfranco Rosi, que mostra a rotina de pessoas que vivem à margem de um anel rodoviário próximo a Roma, é um exemplo do grande momento que o gênero documental vive no cinema mundial. Influenciado por essa onda, o Festival do Rio estreia em 2013 a mostraPanorama Grandes Documentaristas, com trabalhos recentes dos mestres Frederick Wiseman, Errol Morris, Claude Lanzmann, Marcel Ophuls, Rithy Panh, Nicolas Philibert, Ken Loach e Werner Herzog. “A quantidade de documentários sobre diversos temas (moda, guerra, internet, música e até mesmo sobre uma adorável gatinha) e espalhados por diversas mostras (Docs, Itinerários, Midnight, Gay, Panorama, entre outros) talvez seja uma característica do Festival deste ano”, complementa Ilda.
A 15ª edição contará ainda com mais duas mostras inéditas: Tec: Antes Do Mundo Virtual, Era a Privacidade, com sete filmes sobre o impacto da internet, das mídias e novas tecnologias na sociedade contemporânea, e Expectativa Vanguarda. “Talvez essa seja a mais radical das mostras, no sentido de exploração da linguagem do cinema: vamos exibir seis filmes que desafiam as regras da narrativa convencional e que dificilmente vão ganhar espaço no circuito comercial”.
As mostras mais tradicionais também terão grandes momentos, com destaque para a Première Brasil, que começa e termina com aguardadas superproduções nacionais. Na abertura, Amazônia – Planeta Verde, parceria do Brasil com a França que mostra a exuberância de nossa natureza em deslumbrantes imagens em 3D. “Filmar na Amazônia é um desafio para todos. Ficamos muito orgulhosos em sermos selecionados em Veneza, é um reconhecimento do gigante esforço e trabalho que foi realizar este filme”, conta Fabiano Gullane, um dos produtores do filme, que estreou no Festival de Veneza desse ano. Já o encerramento contará com Serra Pelada, um drama sobre ganância e violência instigado pela corrida do garimpo nos anos 80, e que conta com Juliano Cazarré, Júlio Andrade, Wagner Moura, Matheus Nachtergaele e Sophie Charlotte no estrelado elenco.
Ainda na programação da Première Brasil, constam nove filmes apoiados pela Secretaria de Estado de Cultura (SEC), através da Superintendência de Audiovisual. São eles: Estrada 47 – A montanha (mostra competitiva de longas-metragem de ficção), A Farra do Circo, Cidade de Deus – 10 Anos Depois, Histórias de Arcanjo – Um Documentário Sobre Tim Lopes (mostra competitiva de longas-metragens de documentário), O Uivo da Gaita (mostra novos rumos), Mato Sem Cachorro (hors concours de ficção), Serra Pelada: A Lenda da Montanha de Ouro (hors concours de documentário), Apocalipse de Verão (mostra competitiva de curta-metragem de ficção) e Contos da Maré (mostra competitiva de curta-metragem de documentário). Somando os editais da Rio Filme e a campanha Cinema, Marca Registrada do Rio de Janeiro, a SEC investiu mais de um milhão de reais no apoio às nove produções.
Aventura que se espalha
“Um dos destaques é a programação exclusiva e gratuita no Cine Carioca, com exibições e atividades no Complexo do Alemão”, diz Adrien Muselet, diretor comercial da RioFilme, parceira do Festival. “Queremos levar para o Alemão o gosto e aventura do Festival, inclusive com sessões com participação de elenco e diretores, num circuito que não é o regular da Zona Sul do Rio. Tudo isso faz parte de um enorme esforço para colocar o festival como um patrimônio da cidade como um todo”, complementa Ilda Santiago. Além do Complexo, Arenas Culturais em Madureira, Pedra de Guaratiba e Penha, e Naves e Praças do Conhecimento de Padre Miguel, Vila Aliança, Madureira, Irajá, Penha e Santa Cruz também têm atividades programadas durante os 15 dias de Festival.
A expansão do festival não fica só na geografia da cidade, envolvendo também uma série de atividades paralelas além das exibições. O Cine Encontro, no Armazém da Utopia, por exemplo, proporcionará ao público a chance de debater com produtores, diretores e atores. Entre os mais de 200 convidados da 15ª edição, chama atenção a variedade de talentos, indo de Dakota Fanning até a diretora Beeban Kidron, revelação do cinema de não-ficção com seu documentário In Real Life, passando também pelo diretor Paul Schrader, realizador de sucessos como O Gigolô Americano e homenageado desta edição. “Queremos que a experiência do Festival não seja só de ver os filmes, mas também uma chance de discutir o cinema e o mundo em que vivemos”, finaliza a diretora executiva.
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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: A Gatinha Esquisita, de Ramon Zürcher, é um dos filmes da Mostra Escola de Berlim. A Alemanha é o país homenageado no festival (crédito: Divulgação)