Fundição animada

O Animamundi chega à 21ª edição com 510 longas na programação e nova casa: a Fundição Progresso

Nos anos 90, quando César Coelho dizia que era “animador”, as pessoas perguntavam se ele trabalhava com recreação em festas de aniversário. O profissional, criador do Animamundi com os também animadores Aída Queiroz, Lea Zagury e Marcos Magalhães, não precisa mais se preocupar com essa confusão: 21 anos depois de sua primeira edição, o festival é o segundo maior do gênero em todo o mundo, e se tornou um marco na história da animação brasileira, segmento cada vez mais consolidado e com boas projeções de crescimento futuro. Um pedacinho do potencial dessa linguagem será exibido no 21º Animamundi, que começa nesta sexta-feira, 02/08, em um novo porto: a Fundição Progresso.

Depois de 20 edições no Centro Cultural Banco do Brasil, o festival desse ano levará as 510 produções selecionadas de 53 países para a casa da Lapa, mantendo seus palcos paralelos, com exibições também no Odeon Petrobras e no Oi Futuro Ipanema. “A gente procurou um espaço que pudesse acomodar todas as atividades num lugar só”, explica Marcos Magalhães, um dos diretores. “Encontramos na Fundição um ambiente onde podemos mostrar ao público carioca a integração entre informação, entretenimento, educação e negócios do Animamundi, o que permite um mergulho completo no mundo da animação”.

A necessidade de um espaço maior é sintomático do grande momento que vive a animação, mundial e brasileira. “Hoje temos uma coisa que nunca sonhamos quando começamos, que é você ver anúncio de procura por animadores no mercado. Se nos anos 90 tínhamos três produções animadas no Brasil por ano, hoje a média é de 300”, comemora César Coelho.

Destaques da programação

A seleção desse ano chama atenção pelo grande número de longas-metragens: serão 13 títulos, divididos entre as mostras Competitiva, Competitiva Infantil e Panorama. Entre os filmes, estão o franco-belgaApproved for Adoption, de Laurent Boileau e Jung, e o sul-coreano The King of Pigs, de Yeon Sang-ho, ambos elogiados nos festivais de Cannes e Berlim. O cinema nacional estará representado por Uma História de Amor e Fúria, trabalho de Luiz Bolognesi recentemente laureado no Festival de Annecy (França), o maior dedicado à animação em todo o mundo, e Luz, anima, ação!, de Eduardo Calvet, que traça um panorama da história do audiovisual animado brasileiro.

Outro destaque está nas produções feitas por stop-motion, que representam cerca de 15% da programação total, incluindo 11 curtas brasileiros. A técnica será lembrada também na exposição dedicada aos bastidores da produção de Minhocas, de Paolo Conti e Arthur Nunes, primeiro longa-metragem brasileiro em stop-motion, cuja estreia está prometida para dezembro. “Reunimos um material muito bacana numa mostra no Monumento a Estácio de Sá, no Aterro do Flamengo. Vamos mostrar os bonecos, os cenários e outros detalhes da produção”, diz Marcos Magalhães.

Linguagem sem limites

A programação do Animamundi não se restringe às exibições: a Fundição Progresso receberá ainda oficinas, onde adultos e crianças poderão aprender técnicas de stop-motion, desenho animado 2D, zootrópio, pixilation e areia. O espaço abrigará também o Papos Animados, encontro do público com diretores e personalidades do mundo da animação, e o Anima Fórum, voltado para discussões entre profissionais do mercado. Nesses eventos, o destaque fica para os convidados especiais. “Pensamos em pessoas que chegam com uma diversidade grande de propostas no uso da animação, que entendemos como uma linguagem riquíssima para produzir, compartilhar e comunicar mensagens através de imagens e sons”, diz Marcos.

Entre os convidados, estão as canadenses Wendy Tilby e Amanda Forbis, que com sua animação refinada e delicada concorreram ao Oscar 2012 com o curta Wild Life; o irlandês David OReilly, conhecido pelas obras críticas e irônicas sobre a vida contemporânea; o americano Chris Wedge, que trabalhou com o brasileiro Carlos Saldanha, responsável pela franquia Era do Gelo, no estúdio Blue Sky; e a portuguesa Regina Pessoa, que vem se destacando pela criação de uma técnica própria. “Ela desenvolveu um trabalho com gravuras a partir de placas de gelo pintadas e depois raspadas. A Regina cria desenho após desenho dessa maneira, até criar as milhares de cenas necessárias para montar um filme”, explica o diretor. O representante do Brasil é Ennio Torresan, que falará sobre sua experiência na chefia criativa dos storyboards de longas da DreamWorks como Madagascar, Kung Fu Panda e o mais recenteTurbo, atualmente em cartaz nos cinemas.

Confira a programação completa do Animamundi 2013 no site oficial.

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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/

Fotografia: Approved for Adoption mistura imagens documentais e animação para contar a história do coreano Jung Henin (crédito: Divulgação )

 

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