Imagens que unem

Exposição reúne imagens do Ocidente e Oriente em intercâmbio artístico no Parque das Ruínas

Dialogar através de imagens é mais fácil do que aprender turco. Por isso funcionaram tão bem as trocas que os fotógrafos Antonio Luiz Mendes, Emrah Kartal e Cem Ervsavci fizeram ao longo do projeto Terreiro de Fronteiras – Brasil e Turquia. Depois de passarem por 24 cidades na Turquia e no Brasil, registrando pessoas, lugares e situações, os artistas visuais levam o resultado para o Parque das Ruínas com a exposiçãoMulti-Web-Mídia: Terreiro de Fronteiras, que será aberta no dia 3 de agosto, às 16h. Além da exposição, acontecerá paralelamente a Mostra Cinema de Fronteirasnos dias 23, 24 e 25 de agosto, com exibições de filmes turcos.

“O trabalho foi feito como uma expedição mesmo: um grupo que foi junto realizar incursões tanto na Turquia, em regiões como a Capadócia, quanto no Brasil, pelo interior do Ceará, pelo Rio de Janeiro, por São Paulo”, explica Pedro Vasquez, curador da exposição.  Os três artistas – um brasileiro, um turco e um turco residente no Brasil – registraram imagens sobre aspectos culturais e representativos de cada local. Antonio Luiz Mendes, diretor de fotografia; Emrah Kartal, cronista turco que mora no Brasil; e Cem Ervsavci, da nova geração de artistas visuais da Turquia, viajaram 20 mil quilômetros durante 31 dias e apresentam na exposição uma seleção de contrastes e semelhanças visuais entre ocidente e oriente.

O principal objetivo do projeto foi promover o intercâmbio e iniciar um diálogo entre os artistas. “Para nós, brasileiros, o turco é muito difícil, e para eles o português também é impenetrável à primeira vista. Havia então essa barreira grande, mas a imagem funcionou exatamente como esse terreno de entendimento global. Através das artes visuais eles expressaram suas visões tanto da realidade turca quanto da brasileira, que também é muito diversificada. O público vai ter uma ideia muito boa tanto da nossa visão sobre a Turquia quanto da visão turca sobre os brasileiros”, diz Pedro, que também é subeditor da Rocco Jovens Leitores e diretor do Solar do Jambeiro, em Niterói.

O curador chama atenção para o fato não planejado de os artistas terem realizado o trabalho em um momento histórico de grande efervescência política. “O projeto foi concebido como um intercâmbio cultural entre Brasil e Turquia e acabou tendo componentes inesperados de histórias atual. Eles chegaram lá no momento dos protestos na Turquia, que não aconteciam há 40 anos – desde a Segunda Guerra não havia uma mobilização popular expressiva em Istambul. E quando voltaram ao Brasil caíram nos protestos daqui, que não aconteciam há 20 anos. O projeto ganhou um sabor todo especial por trazer essa visão histórica não prevista”, diz.

O trabalho faz parte do projeto Terreiro de Fronteiras, contemplado pelo Edital Pró-Artes Visuais da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro. A exposição é sua terceira etapa, depois da expedição, que foi registrada online em formato de diário de bordo, e do Laboratório Criativo. O laboratório foi um workshop da equipe artística com coordenação do curador Pedro Vasquez. “Foi um momento de avaliação conjunta de todo o material, que envolveu também um trabalho de edição e de montagem da exposição. Embora eu seja o curador, tudo foi feito com a consulta e a aprovação deles, eu atuei mais como colaborador e funcionou super bem, embora eu não conhecesse nenhum dos três antes do primeiro dia de trabalho”, diz o curador.

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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/

Fotografia: O turco Cem Ersavci mergulhou em uma expedição fotográfica com um brasileiro e um turco morador do Rio de Janeiro.  (Crédito: Cem Ersavci)

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