CCBB faz retrospectiva de Jacques Rivette
Um dos principais nomes da Nouvelle Vague, o cineasta ajudou a definir as bases do cinema moderno francês
O cineasta francês Jacques Rivette não gosta de lugares-comuns. Para ele, a melhor imagem de Paris fica longe de cartões postais: é colocando seus personagens em cima de telhados, e obrigando-os a enfrentar a imensidão parisiense que se desenha lá embaixo, que ele captura a verdadeira beleza da cidade. O público poderá conhecer todas as nuances de sua obra na mostra Jacques Rivette – Já Não Somos Inocentes, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil a partir do dia 25/06.
“Ao contrário de outros diretores como Goddard ou Truffaut, todos com uma obra mal ou bem conhecida, ou pelo menos conhecida por aqueles que têm um interesse maior em cinema, Rivette permanece um tanto obscuro. Sem dúvida é o menos conhecido desses todos, e no entanto é um dos principais nomes da Nouvelle Vague francesa e um dos que melhor definiu as bases do cinema moderno francês”, diz Luiz Carlos Oliveira Jr, que divide a curadoria da mostra com Francis Vogner dos Reis. Foram selecionados 21 longas e três curtas, que compõem uma retropesctiva quase completa do trabalho do diretor, hoje com 85 anos.
Entre os destaques da programação, constam Paris Nos Pertence(1961), primeiro longa de Rivette, e que marca a estreia de um tema que se repete ao longo de sua filmografia. “Ele tem um interesse muito grande pelo teatro. Nesse primeiro longa, dialoga diretamente com a encenação teatral, numa história em que o personagem principal é um diretor tentando montar uma peça”, conta Luiz Carlos Oliveira Jr. De 1969, Amor Louco é o típico filme de que “todo mundo já ouviu falar”, mas poucos o assistiram. “Dizem que quando o Glauber Rocha viu esse filme, ele o chamou de ‘tropicalista’. Não que o Rivette soubesse o que era esse movimento, mas de alguma maneira existia uma sensibilidade que dialogava com o Tropicalismo”, continua o curador.
Com Michel Piccoli e Emanuelle Béart nos papeis principais, A Bela Intrigante (1991) é um dos poucos filmes do diretor que chegou a passar em circuito comercial no país. “Trata-se certamente de uma obra-prima”, diz. A mostra conta ainda com Não Toque no Machado (2007), cuja trama foi adaptada de um texto de Honoré de Balzac de maneira inventiva e inovadora.
Além da relação particular de Rivette com Paris, sua cinematografia chama atenção também para outra particularidade do diretor: sua relação muito própria com a condução do tempo. “Seus filmes são sempre muito longos, os mais curtos têm duas horas e tanto. Em Rivette, ter mais de três horas é quase a regra, num trabalho muito particular com o tempo narrativo. É como se o público acompanhasse todo um processo de cristalização a sua frente”, diz Luiz Carlos Oliveira Jr.
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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: A História de Marie e Julien (2003) faz parte da safra recente de produções do cineasta (crédito: Divulgação )