Nouvelle Vague carioca

Oi Futuro realiza mostra com filmes, instalações e objetos em homenagem ao cineasta Jean-Luc Godard

“Tudo o que você precisa para fazer um filme é uma arma e uma garota”. A frase, atribuída ao mestre do cinema Jean-Luc Godard, é falaciosa: ele mesmo sempre ofereceu muito mais ao público. Um cineasta que dispensa apresentações, expoente do movimento que mudou o cinema mundial nos anos 1960, Jean-Luc Godard é o mais recente homenageado pelo Oi Futuro, que promove a mostra Expo(r) Godard – Viagens em utopia, aberta ao público a partir dessa terça-feira, dia 7 de maio.

Sessões de filmes, palestras, performances e lançamentos de livros integram a programação da mostra, a maior que a cidade já recebeu dedicada ao cineasta. As atividades acontecem no Oi Futuro Flamengoe no Oi Futuro Ipanema. Há também projeções e exibição de objetos do diretor: os três andares do Oi Futuro Flamengo terão totens interativos e uma mesa-vitrine com um livro confeccionado manualmente pelo próprio Godard e uma edição rara da revista Cahiers du Cinema, bíblia da Nouvelle Vague, do acervo pessoal do cineasta.

A exposição foi concebida para o Centro Georges Pompidou, de Paris, pelo curador Dominique Païni, com orientação direta do próprio Godard. No Oi Futuro, Dominique Païni divide a curadoria com Anne Marquez, também colaboradora do Pompidou. É o evento mais abrangente sobre o diretor já realizado no Brasil. O diretor de Cultura do Oi Futuro, Roberto Guimarães, destaca o ineditismo da mostra: “Godard é sempre uma referência, um dos mais inquietos criadores contemporâneos. Com esse projeto, o Oi Futuro busca mostrar a complexidade de sua obra de uma forma que nunca foi exibida na América Latina”.

Em cartaz até 7 de julho, a mostra faz uma retrospectiva dos últimos 30 anos de carreira do franco-suíço que foi o mais radical da turma formada por François Truffaut, Eric Rohmer, Claude Chabrol e Jacques Rivette. Chegou a ser acusado de fascista e de comunista, dependendo do filme – e dos críticos. Je vous salue, Marie, sua visão moderna da Virgem Maria, foi censurado em 1986 no Brasil, e documentos do regime militar tratavam o diretor como líder de uma conspiração maoísta. Considerado o último grande contestador na sétima arte, Godard segue produzindo aos 82 anos: dedica-se atualmente à finalização do longa-metragemAdieu au langage e o média The Three disasters, em 3D.

O ciclo de palestras contará com vários especialistas para apresentar as diversas facetas do diretor. Alguns dos temas abordados serão o olhar autoral de Godard, a recepção de sua obra pela crítica brasileira, sua experimentação usando diversos suportes no cinema e sua influência sobre as novas gerações de cineastas brasileiros. “No Brasil, Godard é uma influência explícita para pintores como Luciano Figueiredo e videoartistas como André Parente e Kátia Maciel. Mas a importância dele vai além de influências individuais. Hoje, a tecnologia digital popularizou a ideia de que vídeo e cinema funcionam unidos, como uma expressão só. Mas Godard já defendia isso há tempos”, disse Alberto Saraiva, curador de artes visuais do Oi Futuro, em entrevista ao O Globo.

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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/

Fotografia: Godard rege a projeção de seu filme “Detéctive” no Festival de Cannes, em 1985. Na tela, o cantor e ator Johnny Hallyday. (crédito: Georges Pierre/Agência SYGMA/CORBIS)

 

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