Modernista do mundo em exposição
Exposição homenageia Antonio Bandeira, precursor da arte abstrata no Brasil
Um brasileiro que saiu do Ceará para ganhar o mundo com seus quadros. Esse foi Antonio Bandeira, importante nome do cenário das artes brasileiras entre os anos 40 e 60. O Centro Cultural dos Correios dedica seu espaço à celebração do pintor, com a exposição Antonio Bandeira – Da Razão à Sensibilidade. A abertura acontece nessa quarta-feira, 8/05, às 19h e aberta ao público.
Estarão expostas 70 obras, entre aquarelas, desenhos e pinturas, de um artista que gostava de pensar seus trabalhos como uma longa e ineterrupta continuação. “Meu quadro é sempre uma sequência, do quadro que já foi elaborado para o que está sendo feito no momento, indo esse juntar-se ao quadro que vai nascer depois. Talvez gostasse de fazer quadros em circuitos, e que eles nunca terminassem, e acredito que nunca terminarão mesmo”, disse em entrevista a Milton Dias nos anos 50. A mostra contará ainda com a exibição dos filmes Antonio Bandeira, telecinado especialmente para a ocasião, e O Colecionador de Crepúsculos, de J.Siqueira.
Pela relevância de Bandeira ainda hoje, mais de 40 anos depois de sua morte – faleceu em 1967 -, percebe-se a perenidade de seu trabalho: seu conjunto de telas Sol Sobre Paisagem foi leiloado, em 2010, pelo valor de R$ 3, 5 milhões. “Não vejo um esquecimento de sua arte. O que pode causar essa impressão é que houve um determinado momento em que é compreensível que haja uma leitura excludente – afinal, é mais fácil explicar um país complexo como o Brasil simplificando-o em demasia. Mas o Bandeira continua muito reconhecido pelos estudantes e pelo mercado, sendo hoje o artista brasileiro com mais valor”, diz o curador Marcos Lontra.
Parte desse reconhecimento que se mantém vem do caráter pioneiro da obra de Bandeira. Participante da Primeira Bienal Internacional de Arte de São Paulo (1951), inaugurou o Museu de Arte Moderna da Bahia em 1960. Passou longos períodos morando na França e na Itália, de onde absorveu um pensamento novo para o modernismo praticado no Brasil à época, influenciado sobretudo pela escola parisiense. “O modernismo brasileiro surgiu sempre a partir de uma tendência de identidade nacional, da busca de uma característica que fosse específica do país. O Bandeira marca um amadurecimento dessa questão moderna, sendo o primeiro grande nome do modernismo nacional a se afirmar por sua qualidade intríseca, antes dessa questão de identidade”, continua o curador, que qualifica o artista como um “pintor internacional”.
A presença do Brasil no trabalho do “cearense que se tornou um grande pintor francês” surgia em pequenos detalhes, sem ser, no entanto, o foco de sua arte. “A questão nacional nele aparece na abstração conciliatória – ele buscou estabelecer uma ponte entre o abstrato geométrico e informal -, na medida em que o Brasil busca sempre uma espécie de equilíbrio entre contrários”, explica Marcos Lontra.
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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: Obra sem título de 1957 (crédito: Pedro Oswaldo Cruz)