Arte toma conta das ruas do Rio

Projetos colaborativos levam a arte para os muros do Rio

“O lugar da arte não são apenas os museus e ateliês. Como toda boa manifestação cultural, desenhos, esculturas e poemas só ganham sentido quando são incorporadas e repensadas por uma comunidade”. Com essa ideia, artistas e coletivos como o Muda e o Movimento Liberte seus Sonhos passaram a usar a cidade como painél para os seus trabalhos, aproximando o público dos seus movimentos artísticos.

Formado por dois designers e três arquitetos, o Coletivo Muda é um desses criadores da arte nas ruas há dois anos. O grupo se dedica a instalações urbanas a partir de painéis compostos por módulos em revestimentos clássicos como azulejos e ladrilhos hidráulicos, combinados a uma estética gráfica contemporânea. Os trabalhos passam, então, a interferir no cotidiano da cidade, deixando o espaço mais lúdico, diversificado e colorido. Os painéis criados pelo grupo são pensados especificamente para cada espaço, e seus módulos são cuidadosamente estudados para manter a harmonia toda composição.

“As intervenções na rua normalmente são feitas de duas formas: ora escolhemos um local e pintamos um painel especificamente para ele, ora pintamos primeiro e depois passeamos pela cidade com olhos bem atentos para escolher o local adequado. Assim, conversamos bastante sobre formas e locais de intervenção além de testarmos inúmeras combinações de cores antes de iniciarmos a produção.”, explica o arquiteto Rodrigo Kalache, um dos fundadores do coletivo.

A escolha do lugar para as intervenções vêm da nossa ideia de chamar atenção para locais “esquecidos” na paisagem da cidade. “Muitas vezes passamos pelas ruas e vemos lugares que passam despercebidos no dia a dia das pessoas, nossa intenção é “ativar” esses lugares, mudar a visão de todos sobre eles.”, esclarece Kalache. Essas instalações podem ser vistas em diversos pontos do Rio, com destaque para Carioca, Lagoa, Barra, Santa Tereza e Gamboa.

Além desse trabalho nas ruas, o grupo planeja continuar investindo na experimentação. “Agora estamos focados em buscar novos suportes para os nossos painéis. A maior novidade é nossa parceria com a Lurixs Galeria de Arte, com quem estamos desenvolvendo algumas peças que estarão em breve divulgadas por aí…”, diz o arquiteto.

Outra ação que vem chamando atenção na cidade é a criação de um muro interativo onde as pessoas podem escrever suas perspectivas para o futuro. Batizado de Meu sonho é…, o projeto foi desenvolvido pelo Movimento Liberte seus Sonhos e já reúne centenas de desejos das pessoas que passam pela Rua do Riachuelo, na Lapa.

Segundo a criadora da intervenção, a artista Gabriele Valente, o bairro foi escolhido por uma questão de proximidade e identificação. “É o meu território, onde eu moro, habito e cuido”, diz. Além de Gabriele, a parede grafitada em dezembro de 2012 contou com a ajuda dos artistas Marcelo Zissu, Caio Chacal e Aline Campbell, que se inspiraram no trabalho da designer Candy Chang para criar o mural. O projeto da artista americana que mais inspirou o grupo foi uma casa abandonada em que a Candy pintou um grande quadro negro em um dos muros com a chamada “Before I died i want to…”(Antes de morrer eu gostaria de…). Essa frase foi passada de pessoa a pessoa para que cada um pudesse pegar um giz e compartilhar suas idéias no muro. “Quando eu vi o vídeo com essa obra, eu disse: É isso. Preciso transformar espaços degradados em espaços educadores, vivos, interativos, colaborativos e fora do tempo. Que propiciam experiências únicas para as pessoas que por ali transitam”, explica Valente.

O movimento, no entanto, não ficou preso apenas ao reduto da boemia carioca. Com um crescimento acelerado, o grupo já tem planos de criar um painel na Cidade de Deus e em outras 144 favelas do Rio. E, encantadas com o trabalho do grupo, outras coidades também estão se mobilizando para criar seus próprios painéis, como é o caso de Porto Alegre, Brasília, Salvador e São Paulo.

O projeto do cartunista e grafiteiro Alberto Serrano, mais conhecido como Tito, é um pouco mais antigo que os demais. Há cinco anos nas ruas do Rio, o simpático personagem Zé Ninguém e seu vira-lata laranja trazem graça e frescor à Cidade Maravilhosa. Seu trabalho envolve um tipo de arte pouco comum no Rio, a Street Comics, que nada mais são do que histórias em quadrinhos feitas nos muros da cidade. Para tanto, Tito desenvolveu um traço bastante preciso usando a técnica do grafite. Seus desenhos mesclam características urbanas como a mistura de muitas cores fortes e ruídos, envolvendo ainda a ternura do personagem apaixonado por Ana e seu cãozinho. O Cultura RJ entrevistou o artista recentemente. O resultado você confere aqui.

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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/

Fotografia: Mural na Lapa convida os pedestres a dividirem seus sonhos  (Crédito: divulgação)

 

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