Divina Paraty em festa

Iphan aprova registro da Festa do Divino como bem cultural imaterial na última quarta-feira

A Festa do Divino acontece em maio, mas os paratienses têm motivo para comemorar desde já: a tradição centenária da cidade foi oficializada como patrimônio imaterial pelo IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. A decisão foi firmada na quarta, 3 de abril, em reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural realizada em Brasília.

Tradição de origem portuguesa que se disseminou no Brasil no período colonial, a Festa do Divino Espírito Santo segue presente em diversas regiões do país, com variações e influências locais. A celebração, que acontece na semana do dia de Pentecostes, 50 dias após o Domingo de Páscoa, envolve o ritual de coroação de um imperador, animado por uma folia.

Em Paraty, a manifestação cultural e religiosa mantém muito do seu caráter e características originais, embora tenha incorporado elementos próprios da comunidade local. Realizada na cidade desde o século XVIII, a Festa do Divino continua sendo acompanhada pela folia e pela banda de música, além de incluir a tradicional distribuição de carne e o almoço servido à população na véspera do dia de Pentecostes.

A decisão do Conselho Consultivo do IPHAN se baseou na relevância nacional da festividade e na sua importância na construção e afirmação da identidade cultural do paratiense. Segundo parecer do Departamento de Patrimônio Imaterial (DPI) do instituto, a celebração “traz elementos essenciais para a memória, a identidade e a formação da sociedade brasileira” e é “uma referência cultural dinâmica e de longa continuidade histórica”. Para o Secretário Municipal de Cultura de Paraty, Ronaldo Santos, o registro foi “um merecido reconhecimento” e “estabelece a prerrogativa para que sejam pensadas e implementadas ações de salvaguarda”.

São dez dias de festa em que grupos de danças folclóricas, como aciranda, o cateretê, a dança das fitas e a dança dos velhos, animam o público e o imperador, escolhido a cada ano pela Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios. É o imperador que carrega a coroa e o cetro de prata e preside as cerimônias e as procissões diárias que seguem pelas ruas do Centro Histórico, ornadas com bandeiras vermelhas. Os fiéis acompanham o Bando Precatório, entoando ladainhas e portando bandeiras.

A programação inclui ainda corrida de canoa caiçara, a brincadeira pau de sebo e apresentações de bonecos folclóricos, como o Boi, o Cavalinho e a boneca Miota – manifestações que revelam a apropriação do rito português à cultura local e a relação profunda que a Festa do Divino mantém com a identidade cultural do município.

O dossiê do DPI recomenda medidas de preservação da manifestação, sugerindo o incentivo ao turismo religioso, a sensibilização do poder local para a relevância da festa como evento sociocultural, o estímulo à transmissão de saberes relativos à Festa do Divino, entre outras ações de salvaguarda e valorização do novo bem registrado.

A manifestação é o quarto bem imaterial do estado do Rio de Janeiro a ser tombado pelo IPHAN. Os patrimônios fluminenses já reconhecidos são o jongo (registrado em 2005), as matrizes do samba – partido alto, samba de terreiro e samba enredo (bem inscrito em 2007) e a roda de capoeira (registrada em 2008). Ao todo, na lista de bens culturais imateriais brasileiros constam 26 bens registrados – ela pode ser conferida no site do instituto.

Salvaguarda do Patrimônio Imaterial

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) define como Patrimônio Cultural Imaterial “as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas – com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados – que as comunidades, os grupos e, em alguns casos os indivíduos, reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural.” Esta definição orienta as políticas brasileiras de preservação de bens culturais imateriais: o Brasil ratificou a Convenção da Unesco para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial em março de 2006.

No Brasil, o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial foi instituído em 2000 com o Decreto nº 3.551, e vem sendo realizado de forma mais estruturada desde 2004, com a criação do Departamento de Patrimônio Imaterial (DPI) do IPHAN.

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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/

Fotografia: Festa do Divino: novo bem imaterial registrado  (Crédito: Thereza Dantas)

 

 

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