Independência nas telonas

A Mostra do Filme Livre traz ao CCBB produções audiovisuais realizadas de modo independente

Há quem diga que cinema é uma arte cara, que requer alto investimento. Não é o caso dos cineastas participantes da 12ª edição da Mostra do Filme Livre, que acontece a partir desta terça, dia 5, e se estende até 24 de março no Centro Cultural do Banco do Brasil, do Rio. Levando ao pé da letra a ideia de “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, esta turma desenvolve seus trabalhos de forma independente, captando recursos e, muitas vezes, investindo até seu próprio dinheiro em seus filmes.

A mostra, que tem patrocínio do Banco do Brasil e do Ministério da Cultura, recebeu 742 inscrições de filmes este ano. Foram selecionadas 163 dessas obras para comporem a programação, que ainda conta com outros 50 filmes convidados, totalizando 213 filmes distribuídos em mais de 70 sessões. Desta seleção, foram premiados sete curtas e um longa-metragem, que terão seus realizadores presentes no CCBB- RJ, debatendo seus filmes com o público.  Criada e organizada por Guilherme Whitaker desde a primeira edição, em 2002, a mostra exibe longas, médias e curtas, sempre destacando produções que escapem do lugar comum.“Queremos dar espaço para filmes que buscam revirar a linguagem audiovisual. São filmes que muitas vezes não passam em outros lugares justamente por serem diferentes, além de não precisarem ter atores famosos, nem de muita grana para serem feitos.” diz Whitaker.

O projeto também é o ponto de partida para o lançamento de longas como Sob Luz e Sombras, de Julio C. Siqueira , Cambralha, de Nilson Primitivo e Paulo Duarte e Memórias de um Cinemaníaco, de Carlos Eduardo Magalhães. A mostra conta ainda a com sessões especiais para crianças na Mostrinha Livre, uma sessão só de curtas feitos no Rio de Janeiros e a Curta Rio com exibições de filmes selecionados no Festival do Juri Popular de 2012. O evento também envolve oficinas de vídeo, debates e sessões comentadas. De acordo com Marcelo Ikeda, um dos curadores da Mostra do Filme Livre, a produção audiovisual brasileira vive um momento muito fértil, mas ainda faltam espaços para exibição e discussão sobre os filmes e seus modelos de produção. “A ideia é promover o debate para que o público tenha acesso a outras formas de se fazer filmes no país.”, explica Ikeda.

Fora do CCBB, o projeto ganha vida em outros pontos da cidade. Montada no Centro Cultural da Justiça Federal, a Cabine Livre leva ao público filmes e videoartes exibidos em loop, das 14h às 19h e um grande circuito feito em parceria com Cineclubes fazem sessões de filmes independentes por todo o Brasil. E como cinema também é feito de memória, a mostra homenageia a cada ano um grande cineasta alternativo do país. Já foram celebradas obras de diretores como Eliseu Visconti, Helena Ignez, e Edgard Navarro e nesta edição o evento fará um tributo à Carlos Alberto Prates, com a exibição de seus seis longas e um debate com a presença de Geraldo Veloso, Murilo Salles e Chico Serra. Haverá ainda sessões especiais em homenagem a Ericson Pires eCarlos Reichenbach.

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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/

Fotografia: O longa Sob Luz e Sombras estreia na Mostra do Filme Livre  (Crédito: divulgação)

 

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