Marta Jourdan na Galeria Laura Alvim
Na maior exposição da carreira da artista carioca, Casa de Cultura Laura Alvim recebe obras cinéticas que abordam transições nos estados da matéria
Condensações, fusões e evaporações – fenômenos sutis do cotidiano que muitas vezes passa despercebido pelo espectador são temas das obras da carioca Marta Jourdan, que inaugura, nesta quinta-feira (06/03) naCasa de Cultura Laura Alvim a maior exposição da sua carreira. A mostra que apresenta obras produzidas entre 2008 e 2012, revela um acervo com 11 esculturas e um filme, nos quais a artista se utiliza dos recursos tecnológicos para desconstruir as impressões do público sobre os fenômenos do dia a dia.
Com formação em teatro e cinema, Marta se especializou em técnicas de construção de objetos cênicos na Escola Jacques Le Coq, em Paris, e desde 2005 trabalha em uma série de esculturas cinéticas – obras que transformam os estados físicos da matéria. ”A partir de situações cotidianas, invento as máquinas para reproduzir o que vi em frações de segundo. Vou perseguindo o instante único até conseguir repeti-lo, não importa em que suporte, para capturar o imaterial. Minha obra se faz no “evento”, na ” imatéria”. A fumaça, a água, a explosão etc, é onde está a escultura”, descreve Jourdan.
Na Laura Alvim, ela propõe um trajeto de situações ao visitante, começando por Zona de lançamento: uma pequena bomba envia água para a cabeça de um retroprojetor tradicional, modificado pela artista. Uma válvula acoplada ao aparelho faz pingar o líquido sobre a lente do retroprojetor, que agiganta e projeta as gotas nas paredes ininterruptamente.
Na maior sala da exposição, estará o filme Súbita matéria, em que, com uma câmera de altíssima velocidade que registra até mil quadros por segundo, a artista filma a poesia das explosões. A captura mostra os movimentos no milésimo de segundo, revelando a delicadeza das partículas de uma explosão, a magia da água na luz, a força de um jato que surpreende uma mulher pelas costas. Marta usou dinamites, canhão de ar e 30 mil litros de água para compor as cenas.
Em InSólidos, um dispositivo eletrônico aciona um ferro de solda que derrete barras de estanho. O estanho derretido pinga em um copo com água formando gotas sólidas. No trabalho intitulado “Óleo”, a artista usa um recipiente com óleo, que espelha o ambiente. Ao se acionar um motor, o cilindro de alumínio gira em alta velocidade e desfaz a imagem refletida sobre o óleo, do ambiente e/ou do público. Quando o motor para, a imagem se recompõe. A operação dura 23 segundos.
Líquidos perfeitos é um conjunto de 11 esculturas, em que gotas d’água de recipientes de vidro pingam sobre chapas quentes de ferros industriais de passar roupa, instalados sobre bancos de madeira de diversas alturas.
Segundo o curador Fernando Cocchiarale, Marta não quer dar forma permanente à matéria sólida. “Ela cria, inversamente, máquinas voltadas não só para a alteração de estados físicos da matéria, sobretudo aqueles da transformação da solidez (condição permanente da matéria escultórica), em líquido (InSólidos) e deste, em gasoso (Líquidos perfeitos), como também para a alternância de movimento e repouso (Óleo)”, diz.
A artista
Marta Jourdan nesceu no Rio de Janeiro em 1972 e estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Graduada em Teatro pela Escola de Artes de Laranjeiras, RJ, em História pela PUC-Rio, a artista completou seus estudos em Cinema na Escola Jacques Le Coq, em Paris, onde desenvolveu técnicas de construção de objetos cênicos. Neste período trabalhou no acervo do Centro Georges Pompidou, Paris.
Suas principais exposições individuais foram na Galeria Artur Fidalgo, RJ (2012), na Mercedes Viegas Arte Contemporânea, RJ (2008) e na Fundação Eva Klabin, RJ – Projeto Respiração (2007).
Entre as coletivas das quais participou estão Super 8, Christopher Grimes Gallery, Los Angeles (2011), Nova Escultura Brasileira, Caixa Cultural, RJ (2011), Projeto Coleções Instituto Inhotim, BH (2010), Projeto 2 em 1 Cavalariças do Parque Laje, RJ (2009), Instituto Goethe de Nova York (2008), Festival Multiplicidade, Sesc Pompéia, SP (2008), Jeu de Paume, Paris (2007), Gandy Gallery, Bratislava, Eslováquia (2007) e Kunstverein Hamburgo, Alemanha (2001).
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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: Líquidos perfeitos (Crédito: divulgação)