A vida em perspectiva
Caixa de Areia, de Jô Billac, estreia no Teatro Sesi com Taís Araújo como protagonista
O jovem autor de teatro Jô Bilac volta à cena carioca com um espetáculo escrito ainda em sua adolescência. Caixa de Areia estreia nesta quinta-feira (07/03) no Teatro Sesi, no Centro, e conta com a atriz Taís Araújo no papel principal. A peça é um drama que apresenta diferentes formas de lidar com a vida, em que os personagens estabelecem uma delicada relação entre passado, presente e futuro.
Na trama, Ana é uma crítica de arte, que vê a vida como se estivesse fora dela. Distanciada da realidade e incapaz de se envolver afetivamente, ela é obrigada a voltar ao apartamento em que morou durante a infância, após o suicídio da sua inquilina. A vida intensa do prédio e o recente infortúnio criam na personagem uma sensação de agonia e culpa pelo acontecido. Junto a tudo isso, as memórias de sua infância e da sua relação com os pais acabam por deixar o momento ainda mais opressivo. E entre devaneios e traumas familiares, uma série de personagens e situações inusitadas surgem num fluxo delirante, lúdico e poético, que leva o público a reflexão.
Caixa de Areia faz parte de uma trilogia, que começou em 2011 comSavana Glacial, seguida de Pop Corn. Segundo Jô, as obras se relacionam não só pelo tema, mas também pelo fluxo narrativo. “Nos três textos existe um protagonista que escreve e que reflete a respeito do seu próprio processo de escrita e o que se redimensiona a partir dele. As três se passam em um apartamento e tem uma relação anacrônica onde a memória está sempre presente. A metalinguagem e o núcleo familiar, além de outras peculiaridades, também aproximam as obras.”, esclarece Bilac que já tem planos de lançar a série em livros.
Premiado autor da nova geração de dramaturgos, Bilac está em seu 14º texto encenado e assina pela segunda vez como diretor. “Gosto do corpo a corpo do palco. É um processo criativo em conjunto, menos solitário. A troca direta de ideias.” O jovem, que passou parte da infância fora do Brasil, diz que começou a desenvolver suas histórias como uma forma de treinar sua escrita e logo se apaixonou pelos palcos. “Encontrei no teatro uma forma de expressão humana potente e direta com o outro. A paixão vem justamente dessa comunhão do artista com o público. Esse encanto mútuo.”, explica.
Com apenas 26 anos, Jô garante que sua pouca idade não é um elemento limitador para abordagem de temas mais profundos, já que para ele a condição existencialista é universal. Ele comenta que suas inspirações vêm da angústia e do prazer inerentes a condição humana e que está sempre busca provocar a reflexão no outro. “Cada vez que escrevo um texto procuro em mim uma motivação que reverbere numa provocação com o outro. O outro específico e não só a ideia de plateia como um conjunto sem subjetividades. Por isso procuro provocar e não moralizar. O outro constrói a sua própria verdade a partir do que vê e não o contrário.” , afirma.
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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: Tais Araújo estrela drama de Jô Bilac. (Crédito: divulgação)