Cortinas abertas em 2013
Começou a temporada de teatro na cidade. Entre as peças em cartaz, destaque para o drama intimista O Lugar Escuro, para o musical Rock in Rio e para o espetáculo gótico A Família Addams
Em 2013, os cariocas poderão mergulhar num triângulo amoroso, vivenciar o drama sem rodeios de ver uma mãe sendo vencida por uma doença degenerativa e se unir a um casal confuso para descobrir o que é real e imaginário. Se quiserem algo mais leve, Ary Barroso pode levá-los até a efervescência da música nos anos 30 e 40, tudo embalado pelas marcantes composições do autor de Aquarela do Brasil. E, se tiverem coragem, podem segurar as mãos de Mortícia e Gomes, para passear pelo terror pop da mansão da Família Addams. Essas e outras são as opções teatrais do começo do mês de janeiro, com variedade para todos os gostos e idades.
Na onda dos musicais que fizeram a trilha sonora do Teatro em 2012, as primeiras semanas de 2013 começam com uma estreia totalmente nacional e uma versão de mais um sucesso da Broadway. A Família Addams aterrisa no Vivo Rio a partir do dia 10/01, em mais uma versão brasileira assinada por Cláudio Botelho. O espetáculo levou mais de 300 mil pessoas ao Teatro Renault, durante sua temporada em São Paulo. Com Marisa Orth e Daniel Boa Ventura encabeçando o elenco, a trama gira em torno do crescimento de Wandinha, que, entrando na adolescência, vive sua primeira paixão. Esse é o mote para muitas músicas com aquele toque divertidamente macabro que é o segredo do sucesso da família, em suas mais variadas versões, desde que foi criada nos anos 30.
A Cidade das Artes, na Barra, será inaugurada com a peça Rock In Rio – o Musical, produção brasileira com estreia marcada para o dia 3/01. Com 50 canções no repertório, que vão de Poeira de Ivete Sangalo até Estoy Aquí, da colombina Shakira, passando pelo clássico Love of My Life do Queen e o rock de Paradise City do Guns ‘n’ Roses – todas eternizadas por apresentações marcantes ao longo dos mais de 20 anos do Festival -, a trama acompanha os jovens Alef e Sophia, misturando ficção e menções a acontecimentos reais.
Homenagens e primeiras vezes
Carro-chefe do começo da temporada do Teatro Carlos Gomes, Ary Barroso – Do Princípio ao Fim, é o primeiro texto assinado por Diogo Vilela, e acompanha os últimos dias do compositor, às vésperas de ser homenageado pelo desfile da Império Serrano, em 1964. A inspiração para a criação da peça veio depois da leitura de Recordações de Ary Barroso, último depoimento, de Mário de Morais, experiência fomentou uma série de questionamentos em Vilella. “Quem seria realmente o compositor de ‘Aquarela do Brasil’? Como pode o destino, deixá-lo morrer no dia do aniversário de sua maior amiga, Carmen Miranda, mais precisamente no dia 9 de Fevereiro de 1964? Em pleno Carnaval, exatamente no dia em que seria tema da grande escola de samba Império Serrano no desfile daquela mesma noite?”, se pergunta o ator em texto de divulgação do espetáculo. Para tentar sanar essas dúvidas, a peça é guiada pelas lembranças de Ary em seu leito, misturando suas canções a fatos e personagens marcantes que criaram o “grande legado de nossa música”, nas palavras de Vilella. A peça estreia no dia 18/01.
Outra artista consagrada que estreia em peças é a escritora Heloísa Seixas, que transporta seu relato pessoal do livro O Lugar Escuro para os palcos do Espaço Sesc Copacabana, a partir do dia 04/01. A peça, de título homônimo, tem em cena três mulheres – a avó, a filha e a neta, interpretadas por Camilla Amado, Clarice Niskier e Laila Zaid, respectivamente. Com uma honestidade que pode soar amarga e desconcertante para alguns, a trama mostra todas as etapas do desenvolvimento da doença de Alzheimer da personagem mais velha, baseado na experiência real vivida por Heloísa e sua mãe.
Com dois estreantes no comando, o monólogo Tudo É Tudo E Nada É Nada tem Marcelo Serrado pela primeira vez como autor, e a atriz Maria Padilha em seu primeiro trabalho na direção. A peça se propõe a falar sobre o “nada”, com o ator, conhecido por sucessos recentes em novelas como Fina Estampa e Gabriela, comentando vivências pessoais e observações particulares sobre fatos do cotidiano. O texto leve e bem humorado é a estreia do Teatro do Leblon, no dia 11/01.
Outra peça da temporada é Répétition, que estreia no dia 18/01, no Espaço Sesc Copacabana. A direção é do consagrado diretor Walter Lima Jr., conhecido pelo trabalho em cinema e televisão. A comédia, que tem como protagonista um triângulo amoroso formado pelos atores Roger Gobeth, Tatianna Trinxet e Alexandre Varella, mergulha os atores num ensaio eterno, que brinca com as percepções de realidade. Entre os temas abordados, amor, desejos, ciúme, casamento, fantasia, amizade, teatro e arte. Seguindo a mesma linha, Um Plano Para Dois também propôe ao público o esforço de distinguir o que é verdade e o que não é, ao acompanhar a jornada de um casal que surge junto no palco sem saber por quê, e precisam se unir para voltar para o tal “mundo real”. A peça estreia no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto no dia 11/01.
No Teatro Leblon, estreia Atreva-se, que recebeu críticas elogiosas em sua passagem por São Paulo. Com direção de Jô Soares, a peça destrincha vários esquetes que têm sempre um mistério como mote, totalizando quatro sequências – intituladas A Mansão, O Medo, O Pacto e De Volta à Mansão. Reunindo Marcos Veras, Júlia Rabello, Mariana Santos e Carol Martin no elenco, o texto leva humor a uma trama que, toda apresentada em preto e branco, satiriza clássicos do cinema comoPsicose, Rebecca, Frankstein, entre outros. Jô Soares, experiente comediante, sabe dosar bem momentos de tensão com tiradas que podem beirar o humor nonsense. Estreia dia 11/01.
Já a Casa de Cultura Laura Alvim abre suas portas para homenagear os 55 anos de carreira de Miriam Mehler, protagonista do monólogo Oscar e Sra Rosa, na primeira montagem brasileira do texto de Eric Emannuel Schmitt. A peça estende o talento da veterana até o limite, que interpreta mais de cinco personagens numa trama que fala sobre morte, amizade e espiritualidade, ao acompanhar os últimos dias de um menino de 10 anos, paciente terminal, e sua relação com Deus. Estreia dia 10/01.
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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: Rock in Rio – O musical (crédito: RobertSchwenck)