Vazio preenchido
Isaac Karabtchevsky é o novo diretor artístico do Theatro Municipal do Rio
Maestro consagrado, que esteve à frente de grandes orquestras do cenário nacional e internacional – entre elas a Tonkünstlerorchester, de Viena, a orquestra do Teatro La Fenice, de Veneza, a Orchestre National des Pays de la Loire, na França, a Orquestra Sinfônica Brasileira, a Orquestra do Teatro Municipal de São Paulo, a Osesp, a Ospa (Porto Alegre) e a Orquestra Petrobras Sinfônica - Isaac Karabtchevsky tinha uma incômoda sensação de que faltava algo em sua carreira de mais de 40 anos. “Eu sentia um certo vazio dentro de minha trajetória musical, por depois de tantos anos no Rio, ainda não ter sido diretor artístico do Theatro Municipal da cidade que elegi, onde moro desde 1965. Agora este vazio foi preenchido”, diz o músico nascido em São Paulo, mas que hoje se considera “praticamente carioca”. Pois o incômodo do homem eleito pelo jornal The Guardian em 2009 como um dos ícones vivos do Brasil se desfez neste início de 2013: ele acaba de ser convidado para ocupar o posto no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
“O maestro Karabtchevsky traz para o Theatro Municipal toda sua bagagem profissional e seu enorme talento. Nos dá imensa alegria e honra poder contar com ele já na temporada 2013 e daqui por diante”, comemora a secretária de Estado de Cultura, Adriana Rattes.
“Tenho uma estreita relação com o Isaac, que regeu a primeira ópera que dirigi, Madame Butterfly, São Paulo. Há algum tempo desejava o trabalho do maestro conosco. Agora, ele aceitou”, conta Carla Camurati, presidente do Theatro Municipal.
Com 78 anos e hoje dedicando-se a uma diversidade de projetos – entre eles, o cargo de diretor artístico e regente titular da Orquestra Petrobras Sinfônica, diretor do projeto social da Sinfônica de Heliópolis, comunidade carente de São Paulo, e responsável por cursos de regência na Itália e em Olinda –, Karabtchevsky não conseguiu resistir ao momento extremamente proprício para exercer sua “vocação operística” na cidade que o acolheu. “O Theatro Municipal vinha passando por uma fase delicada, mas tem tudo para se incluir nesse cenário de comemorações festivas do Rio. A cidade tem vocação além da Copa e das Olimpíadas, sendo obrigatória a presença de uma casa de espetáculos da envergadura do Municipal”, considera.
Foco em óperas
O maestro assume a direção artística substituindo Silvio Viegas, que desde 2011 acumulava a função com o cargo de regente titular da orquestra do Municipal. Mesmo sem dar detalhes da temporada de 2013, que deve começar oficialmente a partir maio, é certo que ele pretende trabalhar na montagem de algumas óperas nessa nova fase da casa centenária. Não só porque coincidem neste ano uma variedade de comemoraçãoes de compositores consagrados – os bicentenários do italiano Verdi e do alemão Wagner, além do centenário do compositor inglês Benjamin Britten -, mas também pelo estilo ser assumidamente a menina dos olhos de Karabtchevsky, conhecido pela regência virtuosa de títulos como Tristão e Isolda e O Navio Fantasma, de Wagner. “A ópera é uma forma tão viva, tão expressiva, que não se inscreve só num determinado período. Pretendo poder mostrar como ela passa pelo mesmo sopro renovador que a cidade vem vivenciando”, diz o maestro, que foi precurssor de projetos como o Aquarius, sendo uma das marcas de sua carreira o esforço para levar a música erudita para todos os públicos, vencendo preconceitos de que a audiência moderna não se interessaria por esse tipo de arte.
Inicialmente escalado para ocupar o posto de diretor artístico por dois anos, Karabtchevsky não tem pretensões modestas. “Ainda é tudo muito embrionário, mas estamos avaliando os recursos disponíveis e as brechas de temporadas de grandes cantores de todo o mundo. Espero que minha marca seja a de diversificação do repertório da casa, com a abordagem de títulos desvendados para a população carioca, obras que têm que fazer parte da vida das pessoas. Pois se não, é como se se fechassem os olhos para os grandes autores, e a vida se torna incompleta”, finaliza o maestro, que espera contar “com a sorte e algo de ousadia” para atingir seus objetivos.
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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: Para o maestro, o Theatro Municipal deve participar da agenda internacional da cidade (Crédito: Divulgação/Marizilda Cruppe)