Morre Oscar Niemeyer, aos 104 anos
Um dos ícones da arquitetura moderna, Niemeyer deixou sua marca ao longo do século XX
Nome mais influente da arquitetura moderna brasileira no cenário mundial, o arquiteto Oscar Niemeyer morreu nesta quarta-feira, 5/12, depois de 33 dias internado no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro. Niemeyer foi pioneiro na exploração das possibilidades construtivas e plásticas do concreto armado. Nascido no Bairro de Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, ele obteve os diplomas de arquiteto e engenheiro em 1934. Três anos depois, já fazia parte da equipe dos conhecidos arquitetos Lúcio Costa e Carlos Leão, trabalhando sem remuneração.
Entre os trabalhos mais conhecidos de Niemeyer estão os edifícios públicos que ele projetou para a cidade de Brasília, no final dos anos 50, a convite do presidente da República Juscelino Kubitschek. Foi da prancheta de Niemeyer que saíram os edifícios do Distrito Federal, entre eles o Palácio do Planalto, Palácio da Alvorada e o edifício do Congresso Nacional. Também projetou o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, o famoso “disco voador” do Museu de Arte Contemporânea de Niterói e o Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Autor de extensa obra no Brasil, realizou também um grande número de projetos no exterior, como a sede do Partido Comunista Francês em Paris, em 1967.
Admirado em todo o mundo por sua produção, ele recebeu os principais prêmios da sua área , como o Leão de Ouro, na 6ª Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza, em 1996, e teve suas criações expostas em mostras individuais por todo o globo. Em 1945, ingressou no Partido Comunista Brasileiro, de onde saiu apenas em 1990, por discordar dos novos rumos políticos da legenda. Mas permaneceu fiel a seu idealismo humanista ao longo de toda a vida. “A gente tem que se basear em convicções muito firmes para aguentar essa luta que a vida representa para o ser humano”, declarou, no dia em que completou 100 anos.
Nos anos 60, perseguido pela ditadura militar no Brasil, exilou-se na França, onde projetou o Centro Cultural Le Havre e a sede do Partido Comunista Francês.
Em junho deste ano, o arquiteto havia perdido a sua única filha, Anna Maria, de 82 anos, que faleceu em consequência de um enfisema pulmonar. Mesmo centenário, Niemeyer continuava trabalhando todos os dias em seu escritório em Copacabana. Niemeyer era casado com Vera Lúcia Cabreira.
Repercussão
Políticos, arquitetos, membros da igreja e personalidades da cultura receberam com tristeza a notícia da morte do arquiteto.
A Presidente Dilma Rousseff declarou: “A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem, dizia Oscar Niemeyer, o grande brasileiro que perdemos hoje. E poucos sonharam tão intensamente e fizeram tantas coisas acontecer como ele”. Já o Governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral decretou luto de três dias no estado: “Oscar Niemeyer foi o maior arquiteto do Brasil. Um gênio da arquitetura mundial. Doce no trato, firme nas suas convicções e amado pelo povo brasileiro”.
O cantor Chico Buarque destacou a importância de Niemeyer para a arte: “Oscar Niemeyer teve uma vida muito bonita. Foi um dos maiores artistas do seu tempo e um homem maior que a sua arte”. Via Twitter, os apresentadores Luciano Huck e Ana Maria Braga também lamentaram a perda. “E a linha do infinito pode vir a ganhar suaves curvas”, comentou Huck. “Niemeyer partiu projetando sonhos no céu. Fica a genialidade e a saudade dos traços”, ressaltou Ana Maria.
O jornalista Roberto D’Ávila fez coro: “Ele deixou uma grande escola, mas a arquitetura dele não é repetível. Era um homem extraordinário. Ele se precoupava com a questão humana de tudo, ele tinha uma bondade incrível”. Em sua página no Twitter o jornalista e escritor Xico Sá escreveu: “Um para-choque de caminhão com a filosofia arquitetônica de Niemeyer: Nas curvas do teu corpo, capotei meu coração”.
O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro, Sydnei Menezes, salientou o engajamento profissional de Niemeyer: “A gente podia falar sobre a obra, sobre a relevância do Oscar Niemeyer, sobre o processo de demonstração do mundo da qualidade da arquitetura brasileira. Mas nós do conselho queremos destacar que ele foi um dos líderes que lutaram pela autonomia da profissão, que lutaram pela criação do conselho próprio, numa luta de mais de 50 anos”.
A imprensa internacional também repercutiu intensamente o anúncio da morte do carioca. O frânces Le Monde, o americano The New York Times, o britânio The Guardian e o espanhol El País, entre outros jornais, exaltaram a figura de Niemeyer como “um dos mais importantes arquitetos do século XX”.
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Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/
Fotografia: http://www.sedentario.org/