Farra da pipoca no Rio

Com Hitchcock na Praia de Copacabana e mais 400 títulos nas salas, o Festival do Rio transforma a cidade em capital oficial do cinema

Em setembro, o Rio se transforma em refúgio preferido dos cinéfilos. Dos caçadores de títulos premiados, passando pelos amantes das sessões à meia-noite, aos apaixonados pelo cinema nacional, a cidade faz jus ao título de capital brasileira do audiovisual quando se anuncia o Festival do Rio. Na tela do Cine Odeon, no coração da Cinelândia, a 14ª edição da maratona começa com a exibição do aguardado Gonzaga – De pai pra filho, de Breno Silveira, em noite de gala para convidados, nesta quinta-feira, 28/9.

Até o dia 11/10, quando são divulgados os vencedores da mostra competitiva Première Brasil, 427 filmes de 60 países, distribuídos em 20 mostras, se espalham por 25 pontos de exibição – do agito da Gávea ao fervo de Realengo. O ator Jeremy Irons, os diretores Fernando Trueba (El Artista y la Modelo), Leos Carax (Holy Motors), Jonathan Dayton (Ruby Sparks), Valerie Faris (Ruby Sparks), Teresa Villaverde (Cisne), João Pedro Rodrigues (Odete), Roland Joff (There Be Dragons) e a artista plástica Marina Abramovic são alguns dos convidados internacionais que já confirmaram presença na farra da pipoca.

Dos cariocas e dos visitantes

Para quem pensa que a mostra é voltada apenas para as plateias cariocas, llda Santiago rebate a falsa impressão. “Todos os anos recebemos cinéfilos cativos que vem de outros estados só para participar do Festival. Há também uma boa parte que tira férias durante o período e que literalmente viaja pelos filmes do evento. E ainda temos os convidados internacionais que vem ao Rio para apresentar seus filmes. De certa forma, todo esse fluxo acaba contribuindo para o turismo”, observa a diretora do Festival do Rio e sócia do Grupo Estação.

Entre os chamarizes de 2012 estão Twixt, de Francis Ford Coppola, Lay the Favorite, de Stephen Frears, Magic Mike, de Steven Soderbergh,César deve morrer, de Paolo e Vittorio Taviani, O Nós e o Eu, de Michel Gondry, Shokuzai Penitências, de Kiyoshi Kurosawa, Trishna, de Michel Winterbottom, Another Year, de Mike Leigh, Días de Pesca, de Carlos Sorín, Vida e morte de Marina Abramovic segundo Bob Wilson, de Giada Colagrande, Michael Jackson Bad 25, de Spike Lee,In the Land of Blood and Honey, de Angelina Jolie, e Selvagens, de Oliver Stone.

Além de apresentar as mostras tradicionais, como “Panorama”, “Expectativa”, “Gay”, “Latina” e “Geração”, o evento presta homenagem a quatro grandes cineastas: o brasileiro Alberto Cavalcanti, o americano John Carpenter (o “deus vivo dos filmes de terror”) e os portugueses Manoel de Oliveira e João Pedro Rodrigues – por conta do ano de Portugal no Brasil, a Terrinha ganha um destaque especial. “Estamos sempre em busca de novos filmes e novas tendências da cinematografia mundial. O público também sabe que, no Festival, vai encontrar filmes e retrospectivas que dificilmente entram em cartaz”, explica Ilda.

A disputa pelo Troféu Redentor

Pelo segundo ano, o Armazém 6 do Cais do Porto é a sede do Festival, abrigando as sessões populares da Première Brasil, seguidas pelo Cine Encontro. “A Première Brasil é uma das mostras mais importantes e uma das mais esperadas do Festival. A cada ano a mostra se consolida como uma grande janela do cinema nacional: o interesse do público em participar dos debates e votar no melhor filme aumenta e, por sua vez, os filmes, cada vez mais, ganham projeção mundial”, salienta a diretora do Festival do Rio.

Primeiro Dia de Um Ano Qualquer, de Domingos Oliveira, a nova versão do clássico juvenil Meu Pé de Laranja Lima, de Marcos Bernstein, a comédia O Gorila, de José Eduardo Belmonte, e o comentado O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho são alguns dos trabalhos que disputam o cobiçado Troféu Redentor de Melhor Ficção. No competição de documentários, obras sobre Hélio Oiticica, Jards Macalé, Jango Goulart e Cildo Meirelles correm no páreo.

As mais recentes produções do cinema do Reino Unido também podem ser apreciadas na mostra especial Foco Reino Unido – UK Brasil. Além disso, um dos principais cartões-postais da cidade, a Praia de Copacabana, serve de cenário para a projeção de uma versão restaurada de The pleasure garden, dirigido por Alfred Hitchcock em 1925. O longa é exibido ao ar livre, no dia 2/10, com o acompanhado da orquestra OSB Jovem.

Já na área de negócios do RioMarket, palestras, oficinas e seminários abordam diversos temas, reunindo profissionais renomados do mercado de cinema e entretenimento de todas as partes do mundo. Na lista, o roteirista Frank Spotnitz (Arquivo X), a figurinista Audrey Fisher (True Blood) e os engenheiros de som Chris Newman e Tom Fleischman (O Silêncio dos Inocentes), entre outros, ministram concorridos workshops.

Confira a programação completa do Festival do Rio aqui.

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Fonte: Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro (http://www.cultura.rj.gov.br/)

Fotografia: ’A Dama do Estácio’, curta de Eduardo Ades  (Crédito: Divulgação)

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