Diálogo poético

Em homenagem aos 70 anos de Gilberto Gil, Centro Cultural Correios abre mostra inspirada pelo universo artístico do baiano

Sete décadas de vida são revistas sobre a ótica de quatro gerações de artistas. Mas é importante ressaltar que  a mostra Gil 70, que se instala no Centro Cultural Correios, a partir de 29/8, é mais um tributo do que uma retrospectiva da carreira de Gilberto Gil. Lá são reunidas 21 obras que, de formas peculiares, celebram o espírito criativo do baiano. Concebida e organizada pelo poeta e designer gráfico André Vallias, com a colaboração do pesquisador e ensaísta Frederico Coelho, a exposição multimídia engloba pinturas, grafites, vídeos, fotografias, esculturas e instalações que dialogam com o rico universo do músico. São obras que seguem a graça inspiradora do Movimento Tropicalista.

Baseados em canções de Gil ou dedicados a ele, os trabalhos reunidos contam com o apoio de displays interativos que dão acesso a músicas, letras e comentários de 70 das mais emblemáticas composições do ex-Ministro da Cultura. Além disso, a antessala do prédio está preenchida por uma “linha do tempo” ilustrada, acompanhada de quatro totens digitais, com trechos de filmes e depoimentos.

Mas o acervo não se restringe aos limites físicos do espaço expositivo.Gil 70 ganha um desdobramento digital – para a webtablets esmartphones – que inclui uma antologia de textos escritos pelo músico, uma seleção com os principais trechos de suas entrevistas e uma coletânea de crônicas desenvoldias especialmente para a ocasião – por nomes de peso, como Rita Lee, Hermano Viana e Jorge Mautner.

 

Com a aprovação do Oráculo chinês

“A exposição recupera o espírito heterogêneo das revistas marginais dos anos 60 e 70, como a Navelouca, que agregavam artistas tropicalistas e concretos”, explica o curador André Vallias. “A ideia é compreender pessoas de várias áreas e de gerações distintas, e assim, apresentar formas de arte em múltiplos suportes. Participam da seleção desde o poeta Augusto de Campos, que é mais velho que Gil, a companheiros de geração, como Antônio Dias e Caetano Veloso, e artistas contemporâneos, como Eduardo Denne”.

Apesar de ter colaborado musicalmente na produção de uma das peças interativas, gravando uma versão sem voz de Oriente, Gil não interferiu na curadoria da exposição. “O projeto não é uma retrospectiva histórica da carreira de Gil, mas sim uma exposição com obras de artistas que dialogam com a poética dele”, ressalta Vallias, que assina uma das instalações do conjunto. “Ele ficou animado com a mostra e até sugeriu alguns artistas para entrarem no grupo, mas não acompanhou o processo de produção. Tanto para o público como para ele vai ser uma grande surpresa”.

Criador da impressionante instalação Oriente, Jarbas Jácobe concebeu a peça especialmente para a ocasião. “A partir de uma ideia do André Vallias baseada na letra da música, desenvolvi uma teia de aranha que vai sendo projetada, a partir de um sensor, conforme o movimento das pessoas. Só ouve a versão regravada por Gil quem se mexer”, conta o artista norte-rio-grandense. “Já me emocionei muito com as canções de Gil. Oriente é tocante porque fala aos jovens sobre o que fazer da vida”.

Ainda que não atuante na exposição, Gil, que completou a sua septuagésima primavera em junho, fez questão de manter uma antiga tradição pessoal. Supersticioso, jogou o I Ching para associar o projeto a um dos 64 hexagramas do milenar oráculo chinês. Obteve o de número 29 – K’AN / O ABISMAL, que se relaciona positivamente à fluidez do curso da água.

Os 25 nomes que participam do circuito, entre poetas, videomakers, músicos, cineastas, programadores e designers, são: Carlos Adriano, Ricardo Aleixo, Arnaldo Antunes, Lenora de Barros, Vivian Caccuri, Adriana Calcanhotto, Augusto de Campos, Ivan Cardoso, Antonio Dias, Eduardo Denne, Bené Fonteles, Lula Buarque de Hollanda, Jarbas Jácome, Gabriel Kerhart, Raul Mourão, Carlos Nader, Antonio Peticov, Gualter Pupo, Omar Salomão, Daniel Scandurra, Ariane Stolfi, André Vallias, Caetano Veloso, Andrucha Waddington e Luiz Zerbini.

———-

Fonte: Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro (http://www.cultura.rj.gov.br/)

Fotografia: Detalhe de ‘Kaya n’gan daya’, de Luiz Zerbini  (Crédito: Divulgação)

 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>