Stefan Zweig, o camelot do Brasil na Europa
Recém-aberto, centro cultural reúne objetos pessoais e profissionais do autor de ‘Brasil, um país do futuro’
Essências da vida, da obra e do tempo de Stefan Zweig estão resguardadas em uma simpática casa, de 120 metros quadrados, no município de Petrópolis. Idealizado por Alberto Dines, o centro culturalem memória do escritor austríaco, que viveu no Brasil por cerca de um ano – somados o tempo de turismo e o período de domicílio – compreende um acervo físico, com objetos pessoais e relativos às suas obras, e ambiciosos planos educativo-pedagógicos. O espaço serviu de refúgio para o autor, de origem judaica, durante momentos difíceis da Segunda Guerra Mundial.
Aberto ao público no último sábado, 28/7, o endereço inclui também um “Memorial do Exílio”, dedicado aos imigrantes que encontraram no Brasil, entre os anos de 1933 e 1945, uma nova pátria. Para sair do papel, a instituição teve apoio financeiro da Superintendência de Museus, da Secretaria de Estado de Cultura, que selecionou o projeto através do Edital de Apoio ao Desenvolvimento de Museus e Instituições Museológicas. Fundações e governos estrangeiros e empresários brasileiros, admiradores do trabalho do escritor, também deram contribuições.
Ideal humanitário e pacifista
Considerado um dos autores mais importantes da primeira metade do século 20, Zweig dedicou sua vida ao universo literário. Atuou como poeta, romancista, contista, ensaísta e biógrafo de personalidades como Maria Antonieta e Balzac. “O principal objetivo da casa é se tornar um espaço interativo, muito direcionado à rede estadual de ensino. Queremos que os jovens saibam quem foi Stefan Zweig e quais foram as suas ideias. Vai ser um espaço dedicado à história e à arte, que promoverá o ideário humanitário, pacifista e de tolerância do escritor”, comenta a jornalista Christina Michaelis, diretora do centro cultural.
Em 1936, o autor visitou pela primeira vez o Brasil, sendo calorosamente recebido pelos seus admiradores locais e homenageado pelo então presidente Getúlio Vargas. “No auge de sua carreira, ele conheceu o Rio de passagem para um congresso em Buenos Aires. Naquele ano, ele já era um autor internacionalmente reconhecido e traduzido para todo o mundo. Zweig partiu do país dizendo que seria o nosso ‘camelot’ na Europa e que divulgaria a imagem do Brasil no exterior”, observa Christina.
Com a ascensão de Hitler ao poder, Zweig deixou a Áustria e, em 1941, veio morar em Petrópolis com a sua mulher, Charlotte Elizabeth Altmann, carinhosamente chamada de “Lotte”. O escritor já havia se ligado profundamente ao Brasil quando, meses antes, lançou o apaixonado ensaio Brasil, um país do futuro, que fez um enorme sucesso na época. “Ele era definitivamente um homem à frente do seu tempo. Na década de 40, conseguiu promover o lançamento do livro simultaneamente em sete países diferentes. Teve um êxito incrível”, considera a diretora.
Ligação profunda de Zweig com o Brasil
Durante os cinco meses em que viveu no município da região serrana, o austríaco escreveu a novela Xadrez, que faz uma alegoria à guerra; terminou a sua autobiografia, O mundo que eu vi, e produziu um artigo sobre Michel de Montaigne. Foi com uma dose fatal de barbitúricos que ele e Lotte se mataram durante o exílio no Brasil, em 1942.
O grande iniciador do projeto de criação da casa em tributo a Zweig é o incansável jornalista Alberto Dines, autor de Morte no paraíso(preciosa biografia do escritor austríaco) e presidente do centro cultural em Petrópolis. “Como Dines gosta de falar, ele reuniu um ‘grupo de loucos’ que toparam embarcar nessa aventura. Primeira, dentro da Associação, e, depois, no estabelecimento do centro cultural”, conta Christina.
Aberta de sexta a sábado, das 11h às 17h, a Casa Stefan Zweig está atualmente exibindo uma exposição e quatro filmes aos visitantes. Os planos são de criar, em breve, uma plataforma totalmente interativa, que também revele detalhes sobre a vida de outros ilustres intelectuais exilados no Brasil, como o filósofo tcheco Vilém Flusser, dentro do instituto.
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Fonte: Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro (http://www.cultura.rj.gov.br/)
Fotografia: Zweig é considerado um dos autores mais importantes da primeira metade do século 20 (Crédito: Divulgação)
