‘Branca de Neve e o Caçador’ acerta no visual e derrapa na atriz principal
Seja com veia mais cômica e caricatural, seja com tintas mais sombrias, o fato é que a história da Branca de Neve está em alta. Imortalizado na versão alemã dos Irmãos Grimm da primeira metade do século XIX e, mais de cem anos depois, levada ao cinema pela Disney, o conto de fadas voltou às salas de projeção em 2012 com duas novas adaptações: “Espelho, Espelho Meu”, lançado em abril com Julia Roberts como a Rainha Má, e “Branca de Neve e o Caçador” (“Snow White and the Huntsman”, no original), que estreia nesta sexta-feira (1º de junho) nos cinemas do Brasil – e de várias partes do mundo.
Na mais nova versão, Kristen “Crepúsculo” Stewart dá vida à Branca de Neve, Charlize Theron brilha como a Rainha Má Ravenna, o caçador é feito pelo “Thor” Chris Hemsworth – personagem mais carismático e divertido dessa adaptação –, e o apaixonado príncipe William é do inglês Sam Claflin. O filme mantém certa fidelidade ao conto dos Grimm, mas toma lá suas liberdades. Uma delas é carregar no tom dark e nas maldades sanguinárias de Ravenna, que quer, a qualquer preço, roubar o coração de Branca de Neve para garantir juventude e beleza eternas. Dirigido pelo iniciante Rupert Sanders, que tem uma longa carreira na publicidade, a adaptação é um deslumbre visual: efeitos, figurinos e maquiagem são impecáveis.
Mas a obra está no pacotão das férias de verão dos Estados Unidos. E isso significa que já vimos essa receita antes, muitas e muitas vezes: efeitos incríveis, roteiro e atuações nem tanto. Nas poucas mais de duas horas de filme, a narrativa fica um tanto corrida e perde elementos importantes do original, como a aproximação entre os animais e a Branca de Neve na floresta. No filme, tal aproximação é, contraditoriamente, meio distante, um pouco fria, o que, para qualquer pessoa que tenha a versão da Disney como referência, é uma falha e tanto. As figuras adoráveis dos Sete Anões são mal exploradas no longa, fazendo com que importantes atores como Nick Frost e Toby Jones, por exemplo, tenham pouco destaque.
Não é qualquer desastre assistir ao filme. O apuro visual e o conto de fadas contemporâneo que ainda funciona e que questiona valores como vaidade e poder são bem encaixados. É um bom programa para férias escolares, salas de cinema lotadas e filas de pipoca cheias. Ritual pelo qual todos já passaram, sem qualquer trauma. Se considerarmos, porém, que boa parte da atração do filme para a garotada está na presença de Kristen, aí mora o maior problema. Não há dúvidas do esforço da estrela da principal franquia adolescente dos últimos anos: KStew parece determinada a se distanciar da personagem Bella e mostrar um algo a mais.
Com 12 anos, a menina foi uma ótima revelação em “O Quarto do Pânico” (2002), de David Fincher. Hoje, com 22, ela faz uma Branca de Neve que mais parece uma caricatura de sua própria imagem como celebridade no red carpet e em entrevistas: tímida, insegura e arredia. Seu trabalho em “The Runaways” e em“Na Estrada”, que está por vir, mostram que ela pode sair dessa e brilhar. A questão é que Branca de Neve deve, prioritariamente, irradiar carisma. Algo que Stewart, apesar da beleza, ainda não consegue. É uma jovem, enfim, que vai melhorar, mas que, em “Branca de Neve e o Caçador”, é engolida pela atuação de Charlize Theron.
Fonte: Agência Rio de Notícias (http://www.agenciario.com/) / Foto divulgação