O Rio de Janeiro recebe Tarsila do Amaralno CCBB

Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RIO) inaugurou no dia 13 de fevereiro (até 29 de abril) a exposição Tarsila do Amaral – Percurso Afetivo.  Serão 85 obras, entre pinturas, desenhos, objetos e gravuras (a única série que é reconhecida como sendo da artista) que ocuparão todo o segundo andar da Instituição.  A mostra também marca o fim de um jejum de 43 anos em que o Rio de Janeiro não recebia uma individual da artista.

 

A ideia central para Tarsila do Amaral - Percurso Afetivo surgiu a partir da descoberta do Diário de Viagens – preciosidade em poder da família da artista. É documento de caráter íntimo, e possibilita essa intromissão bem-vinda nos aspectos mais particulares da vida de Tarsila do Amaral. O conceito curatorial se baseou a partir do Diário e foi reunido o maior número possível de obras para um percurso emocional, afetivo e único para aquela que Oswald de Andrade chamava de “caipirinha vestida por Poiret”.

Para esta mostra não foram considerados os períodos – Pau-Brasil, Antropofágico e Social – habitualmente identificados na obra de Tarsila. O enfoque dado, em primeiro lugar, foi intimista; depois, temático e, quando possível, cronológico. Há um proposital e aparente caos, planejado para que o visitante possa sentir-se mais próximo da vida da artista e admire as obras individualmente, livres de classificações mais rígidas”, explica Antonio Carlos Abdalla, curador da mostra, que também tem Tarsilinha do Amaral (sobrinha-neta de Tarsila) como curadora pela família da artista.

Uma ousadia finaliza o percurso: a inclusão da pouco mostrada segunda versão de A Negra (que a artista deixou inacabada) sugere de continuidade para a leitura de seu trabalho e abertura para inúmeras possibilidades de interpretação da obra fundamental de Tarsila do Amaral que permanece, assim, em aberto.

Além das obras, a mostra tem uma programação paralela que vai aproximar ainda mais o público da grande artista do modernismo brasileiro. No dia 14 de março, às 18h30acontece um concerto organizado por Anna Maria Kieffer, no Teatro 2 do CCBB. Dentre as músicas apresentadas destacam-se obras dedicadas a Tarsila do Amaral e a Oswald de Andrade, como Choros nº 3, de Heitor Villa-Lobos, ou a ela oferecidas em manuscrito com dedicatória, como a série dos já citados Ludions, do compositor francês Eric Satie, e de Viola Quebrada, melodia e texto de Mário de Andrade, arranjada por Villa-Lobos a ela oferecida pelo próprio Mário. Já nos dias 15 e 16 de março acontecem debates com a participação de Aracy Amaral, Maria Alice Milliet, Camilo Osório e Fernando Cocchiarali.

Tarsila teve três mostras individuais no Rio de Janeiro: em 1929 e 1933, no Palace Hotel e em 1969, no Museu de Arte Moderna. Grande número das obras presentes nessas mostras voltará à cidade, para o CCBB. Mais de 80 obras se reúnem nesta importante exposição, com destaque para: Antropofagia (onde duas das obras emblemáticas da artista se entrelaçam – A Negra e o Abapuru, 1929); Carnaval em Madureira (1924); Manacá (1927); O touro (c. 1925); A feira III (1953); São Paulo (1924); Urutu (1928); Lagoa Santa (1925); Cartão postal (1929); O sapo (1928); Sol poente (1929); O sono (1928); A feira II (1925); Composição – Figura só (1930); O mamoeiro (1925); Morro da favela (1924) e O lago (1928), entre várias outras.

A exposição Tarsila do Amaral – Percurso Afetivo é produzida pela Cult Arte e Comunicação que já realizou mostras importantes como Anita Malfatti – 120 anos de nascimento, Carlos Oswald – O resgate de um mestre, Niobe Xandó – Mostra Antológica, O Jardim Monumental de Burle Marx, Marcello Grassmann – sombras e sortilégios, entre outras.

 

A curadoria:

Antonio Carlos Abdalla é especialista em museologia, curador e pesquisador em artes visuais. Foi curador doMuseu BANESPA entre 1991 e 1995. Organizou mais de 160 eventos e exposições. Além das exposições históricas de Raquel de Queiroz, Jorge Amado e Santos Dumont, Abdala trabalhou diversos artistas em curadorias, pesquisas e livros.

 

Tarsila do Amaral – Percurso Afetivo

85 obras: pinturas, desenhos, gravuras e objetos pessoais.

Curadoria: Antonio Carlos Abdalla

Curadoria pela família: Tarsila do Amaral

Abertura para convidados: segunda-feira, 13 de fevereiro. Exposição: de 14 de fevereiro a 29 de abril.

Concerto Tarsila Musical: quarta-feira, 14 de março, às 18h30. Teatro 2. Capacidade 155 lugares. Entrada grátis – É necessário retirar senha 1 hora antes do inicio da programação.

Debates: quinta-feira, 15 de março e sexta-feira, 16 de março. Auditório 4º andar. Capacidade: 64 lugares. Palestrantes: Aracy Amaral, Maria Alice Milliet, Camilo Osório e Fernando Cocchiarali. – Entrada grátis – É necessário retirar senha 1 hora antes do inicio da programação.

 

Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB Rio de Janeiro

Rua Primeiro de Março, 66.

Informações:             (21) 3808-2020

De terça-feira a domingo, de 9h às 21h 

Entrada gratuita

 

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